Noticia De Verdade
Composição: Claudio Luis de Jesus Santos.NOTICIA DE VERDAEDE
Eles chegam com a câmera na mão,
Rodando favela em plena operação,
Mostram sangue, mostram dor, sem compaixão,
Mas escondem o luxo da corrupção.
Tanta manchete que distorce a visão,
Dizendo quem é vilão sem investigação,
Mas quando é engravatado na contramão,
A notícia vira só especulação.
Ei, jornalista, cadê a verdade?
Não use o povo pra fazer ibope na cidade.
Favela é cultura, é dignidade,
Mas vocês só mostram a calamidade.
Sensacionalismo não é informação,
É só mais um golpe na população.
Queremos respeito, não manipulação,
A verdade liberta essa nação!
Dizem que é jornalismo imparcial,
Mas seguem roteiro de quem manda, o capital.
Editam tudo com olhar artificial,
Enquanto o morro segue sendo o alvo principal.
E o crime de colarinho branco, então?
Sumiu da pauta, perdeu a atenção?
Na capa só tem preto e favelado,
Enquanto o rico ladrão segue blindado.
Ei, jornalista, cadê a verdade?
Não use o povo pra fazer ibope na cidade.
Favela é cultura, é dignidade,
Mas vocês só mostram a calamidade.
Sensacionalismo não é informação,
É só mais um golpe na população.
Queremos respeito, não manipulação,
A verdade liberta essa nação!
E quando a favela faz arte,
Eles não mostram, não fazem parte.
Mas se tem tiro, sirene e dor,
Vira destaque no jornal das oito, com pavor...
Ei, jornalista, mude essa visão,
Dê voz ao povo com o coração.
A notícia de verdade tem que ser construção,
Não arma na mão da desinformação.
Na viela tem rima, tem tambor,
Tem criança sonhando ser jogador,
Tem samba, tem funk, tem pastor,
Tem gente de fé, tem trabalhador.
Na laje rola poesia no fim do dia,
Tem grafite colorindo a melancolia,
Tem culinária que ninguém copia,
Mas a grande mídia só vende agonia.
Na favela tem mãe que é guerreira,
Que acorda cedo e enfrenta a ladeira,
Tem jovem cientista, artista,
Mas isso não cabe na pauta sensacionalista.
Tem bloco de rua no carnaval,
Tem talento bruto, original,
Tem capoeira no beco, dança no quintal,
Mas a manchete só fala de mal.
Ei, jornalista, cadê a verdade?
Não use o povo pra fazer ibope na cidade.
Favela é cultura, é dignidade,
Mas vocês só mostram a calamidade.
Sensacionalismo não é informação,
É só mais um golpe na população.
Queremos respeito, não manipulação,
A verdade liberta essa nação!
A quebrada tem saber que não vem do livro,
Tem doutores da vida, ensinando ao vivo.
Na rima, no rap, no reggae, no flow,
Favela é escola, mas ninguém notou.
Eles não filmam a aula de violão,
O teatro no campinho, a superação,
O sarau de poesia no barracão,
A biblioteca feita com doação.
Escondem o brilho que brota do gueto,
Mas exaltam o escândalo e o preconceito.
Querem o caos como pano de fundo,
Mas a favela é esperança no meio do mundo!
Ei, jornalista, mude essa visão,
Dê voz ao povo com o coração.
A notícia de verdade tem que ser construção,
Não arma na mão da desinformação.
Favela é viva, é revolução,
É raiz, é luta, é superação.
Se quer falar dela, então presta atenção:
Aqui tem orgulho, tem voz e tem razão!

