A Ira Contida, De Jesus: (João 8:1-11) - Faixa 11
Composição: Fernando Alva.Havia um pensamento nascendo,
Tão valioso quanto o ouro sob o altar.
A Palavra do Mestre corria mansa, perfeita,
Como um rio prestes a se revelar.
Mas mãos humanas rasgaram o instante,
Interromperam o próprio Autor da vida,
E o Verbo — para não perder o rumo —
Inclinou-se ao chão para não se irar.
Não era sobre o que escreveu,
Mas o porquê de escrever.
Pois cada frase que o Céu prepara,
Carrega sementes demais para perder.
E o Cristo, tão homem quanto santo,
Sentiu a ira bater na porta,
E preferiu escrever por um momento,
Para não ferir, nem interromper o julgamento.
Aqueles homens não sabiam
O abismo que abriram ao intervir.
Pois interromper o Eterno
É tocar o sagrado sem discernir.
Mas Ele escreveu… escreveu para não se irar.
Escreveu para guardar o pensamento que vinha do Pai.
Escreveu para que a graça respirasse
Antes da justiça falar.
E da areia subiu a sentença
Que desarma todas as mãos:
“Quem nunca pecou… atire a primeira pedra”,
E o Verbo voltou a escrever o seu sermão.
Se Ele tivesse respondido sem silêncio,
Se a palavra viesse sem pausa,
Eles teriam secado diante Dele
Como a figueira que não tinha causa.
Mas o Mestre freou o próprio fogo,
E desenhou misericórdia no chão.
Para que homens duros como pedras
Ouvissem o peso do próprio coração.
Ele escreveu… para não se irar.
Escreveu para continuar o que o Céu queria falar.
A areia guardou o discurso interrompido,
E a graça venceu sem argumentar.
A Bíblia é simples como o gesto de Cristo,
Nós é que insistimos em complicar.

