Minha Própria Repreensão
Composição: Fernando Alv... Ver tudoPassei tanto tempo apontando
erros que eu vi nos outros,
afirmei nunca seguir seus passos,
afirmei não repetir seus modos.
Fiz da crítica uma armadura,
da razão, minha proteção,
mas enquanto julgava o mundo,
quem vigiava meu coração?
É fácil enxergar de longe
aquilo que não queremos ser,
difícil é olhar para dentro
e reconhecer o que há em você.
Eu não quero me tornar
aquilo que um dia detestei,
não quero vestir os mesmos erros
que tantas vezes condenei.
Se eu combater a escuridão
sem cuidar da luz que há em mim,
posso acabar me transformando
no inimigo que sempre combati.
Já vi a raiva mudar de nome,
o orgulho aprender a disfarçar,
há quem condene a arrogância
sem perceber que já começou a julgar.
E eu também tenho minhas sombras,
meus defeitos para enfrentar,
porque ninguém conhecerá a própria face
enquanto não aprender a vigiar.
Talvez vigiar o mundo inteiro
não seja a melhor solução,
há batalhas que começam
dentro do próprio coração.
Eu não quero me tornar
aquilo que um dia detestei,
não quero vestir os mesmos erros
que tantas vezes condenei.
Se eu combater a escuridão
sem cuidar da luz que há em mim,
posso acabar me transformando
no inimigo que sempre combati.
Por isso eu vigio meus passos,
antes de julgar qualquer direção,
porque o homem que aponta o dedo
também precisa da própria correção.
Não quero vencer uma guerra
perdendo aquilo que sou,
nem destruir todos os monstros
para descobrir que um deles me habitou.
Eu não quero me tornar
aquilo que um dia detestei,
se o mundo precisa de mudança,
que ela comece onde eu errei.
Antes de exigir do outro
a mudança que espero encontrar,
vou olhar primeiro para dentro
e verificar se restou algo a mudar.
É preciso vigiar os passos...
Antes que o mundo mude a gente.
Eu não quero me tornar
aquilo que um dia detestei,
não quero vestir os mesmos erros
que tantas vezes condenei.
Se eu combater a escuridão
sem cuidar da luz que há em mim,
posso acabar me transformando
no inimigo que sempre combati.

