O Enigma Do Guardanapo - Faixa 03
Composição: Fernando Alva.Deixei a pergunta de lado um momento,
Não vim para julgar o comportamento.
Se as mãos estão sujas, se o copo esvaziou,
Eu sou o operário que o Mestre chamou.
Recolher o que sobra, limpar o que cai,
No rítimo manso que agrada ao Pai.
Vários convidados a olhar,
E eu vi no detalhe o que estava a faltar.
Peguei o papel, o guardanapo na mão,
Não era liturgia, era só prontidão.
Pois quem serve não busca o troféu,
O serviço é o idioma que se fala no céu.
É o mistério simples de um guardanapo,
Que limpa a poeira e o resto do prato.
É o suor invisível, a mão estendida,
A teologia que dá sentido a vida.
Enquanto o prestígio preenche o altar,
Eu encontro o meu Cristo na tarefa, não no jantar.
Servi o refrigerante, levei o descarte,
Fiz do cuidado a minha maior arte.
Só quando o último pôde cear,
É que achei um cantinho pra me sentar.
O prato estava frio, mas o peito aquecido,
Pelo prazer de não ser percebido.
Não precisei de crachá, nem de unção especial,
O amor é o único cargo real.
A igreja é o povo, o templo é o cuidado,
E o maior entre nós é o que serve ao lado.
Limpando a mesa...
Limpando o chão...
O céu se revela em nossa comunhão.

