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Aládio Dullius

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EstiloRegional
Cidade/EstadoSanta Rosa / RS
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Lenço Gaúcho

Composição: Aládio Dulli... Ver tudo
LENÇO GAÚCHO Que lenço usas e dir-te-ei quem és! Assim dizia o velho no tempo da guerra. Hoje, graças a Deus, vivemos em tempos de paz, mas o lenço segue firme, no peito quem encerra o lugar mais nobre da pilcha, da nossa terra. Viver em terra de missão, de cruz jesuíta, é melhor do que sonhar, é destino que se herda. Não basta se dizer gaúcho da boca pra fora, tem que olhar pra dentro da alma e ver se merece, se merece esse luxo sagrado de um povo que morreu por causa nobre, que não se entregou pra exploração de governo. Nossas raízes, tchê, estão longe de ter fim, somos gaúchos, e isso se explica simples assim. Isso não é moda, não é pose, é paixão, é tradição, é herança de avô pra neto, é desse jeito que trago cravado aqui dentro do coração. Desde guri eu aprendi, olhando o pano vermelho, aquele lenço encarnado, cor de sangue no peito. É por ele que me ajoelho no pampa em respeito, é por essa causa velha que até hoje eu padeço. Que a morte, essa que eu não conheço e não temo, de tudo que acredito não me deixe esquecido. Que não me tape os ouvidos, que não me cale a boca... Porque metade de mim é o grito que dou pro mundo, a outra metade é silêncio, bem lá no meu fundo. E que essa dor que me corrói por dentro, esse anseio, sirva de inspiração pro meu verso campeiro, pra que um dia a querência me veja recompensado. Porque metade de mim é o que penso, calado e sereno, mas a outra metade, tchê... a outra metade é um vulcão! É vulcão... é vulcão... que carrego no peito gaúcho.

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