Imagem de capa de Aládio Dullius
Aládio Dullius

Aládio Dullius

EstiloRegional
Cidade/EstadoSanta Rosa / RS
Plays11.453plays
Tamanho
Imprimir

Vaca Vermelha

Composição: Aládio Dulli... Ver tudo
Sai de madrugada pra outra invernada, Pra buscar boiada que o patrão comprou. Campo molhado, cerração fechada, E o Rio Santo Cristo na frente estalou. Uma vaca vermelha, de pêlo queimado, Das mais bonitas que no lote havia, Olhou pro rio fundo, pra água corrente, E se largou num pulo, valente e bravia. Eu vi ela boiando, lutando com a água, E o coração de campeiro não aguenta ver. Larguei chapéu e bota na beira do barranco, Me larguei a nado pra não a perder. Nadei, peito aberto, na água fria, Lutei com a correnteza até alcançar. Peguei pelos chifres aquela vermelha, No braço, na força, pro barranco empurrar. Ô Santo Cristo de água barrenta, Quase me leva pro teu fundo sem fim. Salvei a vermelha das tuas correntes, E quase que as corrente me salvam de mim. Chegamos no barranco, vencida a corrente, Armei o laço, tremido, cansado. Passei a corda no chifre dela, Pensei: "tá pronta, graças a Deus, laçado". Mas quando ela subiu, firmou as patas no alto, Deu de cara a cachorrada latindo sem parar. Se assustou a bicha, rodou o corpo num coice, E voltou pra cima de mim pra me chifrar. Foi um golpe seco, bem na boca do estômago, O chifre entrou como faca, tirando o ar. Com o impulso da batida, do coice daquela vaca, Fui direto pro rio, de novo a boiar. Água na boca, sangue e barro misturado, Vi minha vida passando naquela água turva. A vermelha me olhando lá de cima do barranco, E eu boiando, quase morto, na curva. Ô Santo Cristo, rio de pouca piedade, Quase me mata uma vaca de pelo encarnado. Fui buscar boiada e voltei marcado, Com a marca do chifre bem no costado. E até hoje quando passo nessa invernada, Na beira do rio onde quase morri, Escuto o latido da cachorrada, E a vermelha bufando, me esperando ali.

Comentários

Filtrar Por:
Escreva um comentário

Playlists relacionadas à musica