O Peso Do Fim
Composição: Tiago Barros.Carrego em mim o que sobrou dos dias,
fragmentos presos na pele do tempo.
O espelho mente, e ainda reflete
os rostos que eu deixei no vento.
O amor dormiu num ciclo lento,
pálido, preso ao movimento.
E eu — um corpo em dissolução,
tentando lembrar quem fui, em vão.
Se o sol me encontrar,
que me veja sem o peso do fim.
Não quero reviver o que partiu,
nem chamar de lar o que fugiu.
Minha liberdade tem gosto amargo,
mas é tudo o que restou de mim.
O futuro corta como vidro fino,
brilha — e some, em um suspiro.
Cada passo ecoa distante,
e o silêncio se torna abrigo.
Talvez o adeus tenha sussurrado
antes da manhã nascer.
E eu, cego pela calma,
não quis entender.
Se o sol me encontrar,
que me veja sem o peso do fim.
Não quero reviver o que partiu,
nem chamar de lar o que fugiu.
Minha liberdade tem gosto amargo,
mas é tudo o que restou de mim.
Há fantasmas no que eu deixei,
e espelhos que ainda mentem pra mim.
O tempo não cura — só consome,
as formas do que eu fui.
Sigo adiante,
por entre cicatrizes que respiram.
O passado grita,
mas eu não ouço mais.
Sigo adiante…
por fim.
