Ruídos E Fingimentos
Composição: Tiago Barros.A vida tropeça nos próprios ensaios,
e eu visto rostos que já foram meus.
O roteiro ri da nossa pressa —
tragédia cômica em looping sem Deus.
Talvez a demência seja só descanso,
um abrigo pros que fingem entender.
O caos virou conforto disfarçado,
e o tédio aprendeu a vencer.
De novo, eu caio —
nesse déjà vu com mau humor.
As mesmas falas,
em novos corpos sem calor.
Eu sei, eu sei...
às vezes tô bem,
às vezes só pareço ser alguém.
Vendendo sorrisos na feira do ego,
meus dias têm gosto de falência emocional.
Prefiro o vazio que ainda sente fome,
do que a cura plástica do banal.
Sonhei com um “melhor” que cabia na palma,
mas acordei pedindo senha pra crer.
Até a esperança precisa de wi-fi
pra continuar a responder.
De novo, eu caio —
nesse déjà vu com mau humor.
As mesmas falas,
em novos corpos sem calor.
Eu sei, eu sei...
às vezes tô bem,
às vezes só pareço ser alguém.
O amor pisca em vitrines digitais,
morre o toque, sobra o deslizar.
O coração tenta lembrar do sangue,
enquanto o sensacionalismo vai ganhar.
E no fim —
a verdade não rende engajamento.
Mas grita —
por entre ruídos e fingimentos.
Eu sei, eu sei...
a vida é um ensaio sem direção,
mas ainda assim —
eu volto pra cena, sem perdão.
