Terreno Baldio
Composição: Tiago Barros.Julgado por vozes que eu nunca ouvi
Sentenças lançadas no ar como confete
Roubaram o som da minha garganta
Como se o silêncio fosse culpa minha
E eu assisto, paralisado,
A multidão moldando o meu retrato
Pedras lançadas com fé e descuido
No mármore frio da minha calma
Quantos nomes me deram,
Antes mesmo de me perguntarem quem eu sou?
Sou o eco que se perdeu no vento
O cordeiro que aprendeu a morder
Sou o terreno baldio da consciência
Onde o medo plantou flores sem cor
Peço perdão, mas não por pecar
E sim por me calar quando devia gritar
Chamei covardia de diplomacia
E a espera virou o meu altar
Sombras me seguem ao meio-dia
Riem da luz que insiste em ficar
E eu — imóvel — assisto à ruína
De um rosto que ainda tenta acreditar
Quantas vezes engoli o fogo,
Pra não queimar quem nunca me ouviu?
Sou o eco que se perdeu no vento
O cordeiro que aprendeu a morder
Sou o terreno baldio da consciência
Onde o medo plantou flores sem cor
Mas eu ainda sinto —
A carne viva sob a estátua fria
Cada fenda é uma lembrança,
Cada rachadura é minha saída
Sou o eco que renasce do vento
O cordeiro que decide correr
Sou o terreno baldío em chamas
E enfim, aprendo a me defender
Odeio injustiças…
Mas elas me ensinaram a ver.
