Alfaiate Franz

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Cidade/EstadoNiterói / RJ
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Terreno Baldio

Composição: Tiago Barros.
Julgado por vozes que eu nunca ouvi Sentenças lançadas no ar como confete Roubaram o som da minha garganta Como se o silêncio fosse culpa minha E eu assisto, paralisado, A multidão moldando o meu retrato Pedras lançadas com fé e descuido No mármore frio da minha calma Quantos nomes me deram, Antes mesmo de me perguntarem quem eu sou? Sou o eco que se perdeu no vento O cordeiro que aprendeu a morder Sou o terreno baldio da consciência Onde o medo plantou flores sem cor Peço perdão, mas não por pecar E sim por me calar quando devia gritar Chamei covardia de diplomacia E a espera virou o meu altar Sombras me seguem ao meio-dia Riem da luz que insiste em ficar E eu — imóvel — assisto à ruína De um rosto que ainda tenta acreditar Quantas vezes engoli o fogo, Pra não queimar quem nunca me ouviu? Sou o eco que se perdeu no vento O cordeiro que aprendeu a morder Sou o terreno baldio da consciência Onde o medo plantou flores sem cor Mas eu ainda sinto — A carne viva sob a estátua fria Cada fenda é uma lembrança, Cada rachadura é minha saída Sou o eco que renasce do vento O cordeiro que decide correr Sou o terreno baldío em chamas E enfim, aprendo a me defender Odeio injustiças… Mas elas me ensinaram a ver.

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