Álvaro Caldas

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Quando nada parte da maldade

Composição: Álvaro Caldas

De fato, distante assim se pode pensar além do que nada se vê. É certo deitar o rio de nuvens estratosféricas Além do céu da boca. Nada se faz aqui, neste camafeu de imagens e sons. Tudo ao redor da retina Desce o leito, viaja na madrugada Em cada uma das estrelas, Formando um desenho em um dialeto tribal. De sorte que ainda nada se tem de concreto Quando sempre se fala em espírito. Outrora era um mar diante de uma vida nada espetacular Fugindo de si e da desordem da ordem mundial. Dali ou de onde estivesse o outro vértice, Só se sabe que nada era temido Que não fosse da ordem das estrelinhas amarelas Que aplumavam a farda já em fardos de tantas regras. Quanto ao ursinho Knut e outras fábulas do orkut, Um segredo ia se descobrindo A cada página feita sem uma tinta de caneta, Mas de exibicionismos e desesperos. Quantas hermenêuticas eram necessárias para deflagrar qualquer tentativa de um sim Ou uma nova caminhada? "O segredo", "O nome da rosa", Contados em qualquer estação, "À espera de um milagre", De nada adiantaria se novos horizontes não demarcassem O que há tempos se tem do espírito O que ainda é certo. Nada além de nós mesmos... "Quem diria que um dia a gente iria chegar aqui" e olhar pra trás e nada. Numa quasar vêm novas mensagens Indecifráveis para os plebeus E apostas são feitas, Desvios no relevo donde a história curva seu traçado Para chegar no mesmo lugar De décadas atrás. Não são mares furtivos, desdenhando nossas mentes, Nem a lua insinuando novos ataques ao passado Em cada lágrima da chuva Que anuncia aparecer bruscamente. O sereno tem cheiro acalentador Com aquele bucolismo Que só a literatura original sabe descrever. Vejo imunes tantos casos de amor Que nem seria demais ainda acreditar Num ponto de equilíbrio. Cada gesto, Cada beijo, Nada pode ter sido em vão Completamente. Teria sido apenas um estágio, Mas nada de charadas mais, Apenas aprendizado, De qualquer forma. Qualquer coisa, Adiante se vai ao longe Quando nada parte da maldade... Busque sempre seus escudos... Outro dia, a gente continua... Carpe diem.

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Álvaro Caldas nasceu no Piauí, cidade de Parnaíba, longe demais das capitais. Mas não demorou muito pra se encontrar musicalmente (ou pelo menos ter um norte), sendo, a bem da verdade, inicialmente, apenas um figurante no rock parnaibano quando tentou montar uma banda na década de noventa, sem muito sucesso. Teve apenas uma apresentação no "Canta Susto".

Depois de um tempo e de muitas perdas, inclusive do irmão que tocava na banda "Os Últimos Anjos" - Breno Caldas -, Álvaro procurou no amor e na música sua felicidade. Entre trancos e barrancos, foi apanhando e aprendendo a compor e mostrou a cara pra bater neste primeiro trabalho (não é a primeira gravação em estúdio) que vem ao público de vez.

O Ano de 2006 trouxe a vontade de entrar de vez no cenário da música, aos 31 anos, com a vontade e as angústias que o perseguem há tempos, na busca de si mesmo. Vem aí ainda seu primeiro EP, em breve. Até lá, espero que você se identifique com o que o espírito dele clama... Quer saber? Escute.

Carpe diem.
Justus ex fide vivit.

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