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Angel Letras

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Cidade/EstadoAçailândia / MA
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Todo Dia Um Pouco

Composição: Alessandra Martins Silva do Nascimento.
Acordei antes do mundo — de novo — e já fiz a lista: terapia, consulta, laudo… e mais um papel pra protocolar. O café esfria na mão, mas eu junto força, porque alguém precisa transformar o caos num lugar seguro pra você morar. Tem avaliação pra marcar, relatório pra entender, fila que nunca anda e o telefone que não para de chamar. Falam sobre “normal”, “números”, “diagnósticos”… mas quem vive sabe: no fim, é o amor que ensina a caminhar. Dizem que eu sou forte — como se fosse escolha — mas a gente aprende a persistir. Entre pedidos e esperas, eu monto nossa rotina, e cada pequena vitória vira motivo pra sorrir. Todo dia um pouco — eu luto, eu ensino, eu cuido, todo dia um pouco — eu caio e me levanto mais. Quem vê de fora não sabe a lista que eu carrego, mas nos teus passos pequenos eu vejo o maior sinal. Somos tempo, respiro e resistência. Mãe atípica: amor que vira referência. A cadeira vira batalha por um direito básico, a escola deveria acolher, a lei precisa enxergar. Eu estudo à noite, aprendo técnicas e caminhos, pra no dia seguinte te ajudar a avançar. Tem dia que o corpo pesa, tem dia que a mente cede e o choro vem... tem gente que não entende e amigos que não ficam também. Mas tem terapeuta vibrando quando você finalmente tenta, e o teu olhar dizendo: “Mãe… respira, vai ficar tudo bem.” E, no meio disso tudo, deixei caminhos em pausa pra te acompanhar, ajustei planos, guardei sonhos, aprendi a viver devagar. Às vezes o bolso aperta e eu respiro fundo, mas a gente encontra um jeito — um passo por vez — pra continuar. Eu não quero ser santa, nem guerreira sem descanso — eu quero apoio, política e voz pra poder respirar. Quero uma escola que abra portas, e profissionais prontos pra escutar. Todo dia um pouco — eu luto, eu ensino, eu cuido, todo dia um pouco — eu caio e me levanto mais. Quem vê de fora não sabe a lista que eu carrego, mas nos teus passos pequenos eu vejo o maior sinal. Somos tempo, respiro e resistência. Mãe atípica: amor que vira existência. E quando a noite pesa e eu questiono se dou conta, eu lembro das conquistas que pareciam tão pequenas: uma palavra que surge, um gesto que finalmente encaixa, um olhar que encontra calma — e o mundo inteiro vale a pena. Todo dia um pouco — celebramos o que o mundo esquece, todo dia um pouco — cada avanço é uma semente que cresce. Não é sobre perfeição, é coragem virando cuidado, é transformar o tempo em aliado e o amor num trabalho sagrado. Mãe atípica, eu canto: você nunca esteve sozinha, e nós, mães que persistem, transformamos cansaço em força viva. Vem, segura minha mão — eu te mostro o caminho, um passo de cada vez, um laudo, uma terapia, um carinho. Não é aplauso que nos move — é a rede que nos faz ficar. Todo dia um pouco… e assim vamos continuar.

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