Cabeças de Vento

Cidade/EstadoGavião Peixoto / SP
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Preto no Branco

Composição: Caffé

Eu sou negrão por isso sou discriminado Tem cada branco folgado que não larga do meu pé Pode ser velho criançinha e adulto Sempre pinta algum insulto em negrão não botam fé Os manos Black sempre tem algum defeito Preto parado é suspeito e correndo é ladrão Se vai ao banco e mete a mão no bolso É aquele alvoroço é assaltante o negão Na escola é tanto vulgo e apelido O negao fica fudido, mas encara na moral É chocolate, insulfilme e Tição, Pau-de-fumo, carvão, fumaça e coisa e tal É duro ser negão, nessa miscigenação Preto rico, preto pobre, sempre tem uma zoação É duro ser negão num país tão desigual Preto novo, preto velho, tem que ter cara de pau É duro ser negão num país do preconceito Qualquer preto ou minoria nunca merecem respeito É duro ser negão num país como o Brasil Qualquer dia a gente manda tudo a puta que pariu Na escola neguinho passa vergonha, Pois ele sempre tem maconha da boa para vender No restaurante chic nem se pode entrar O garçon vem avisar não temos nada pra comer É no trabalho, na família ou na viagem Sempre rola sacanagem e insultam o negão Furou pneu, alguém já vem dar pitaco Não precisa de macaco, pois o carro é do negão Na faculdade, buscando a igualdade O negão paga mais caro pro diploma ostentar Ou faz Enem e aproveita a sua cota Ou cai na mira da rota e não se cansa de apanhar É duro ser negão, nessa mestiça nação Preto feio, preto lindo, sempre tem uma zoação É duro ser negão num país continental Preto bom, preto ruim, pago o pato em geral É duro ser negão nesse país tão sem rumo Preto burro, preto esperto, Bobeou caiu entrou no fumo É duro ser negão, mas seguimos nossa luta Amamos esse país tão filho da Africa!

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