A Cigarrinha Que Queria Trabalhar
Composição: Maria Aparec... Ver tudoEra uma vez uma cigarrinha
Que queria trabalhar.
Cresceu ouvindo que sua mãe
Só queria mesmo cantar.
Não pensava muito no futuro,
Nem no inverno que ia chegar,
E tinha uma amiga formiga
Que gostava de lhe lembrar:
Cantavas? Pois dança agora!
Era o que a formiga dizia.
Mas a pequena cigarrinha
Não queria essa fama um dia.
Cantavas? Pois dança agora!
Ela não queria escutar.
Quando chegasse o seu futuro,
Queria poder trabalhar.
Ao chegar à adolescência,
Decidiu mudar sua história.
Queria uma vida diferente,
Construída com trabalho e glória.
Inspirava-se nas formigas,
No seu jeito de batalhar,
E foi procurar a rainha
Para um emprego encontrar.
— Rainha das formigas,
Eu também quero trabalhar.
Quero ter algum conforto
Quando o inverno chegar.
Não quero ouvir novamente
Aquela frase a me cobrar:
Cantavas? Pois dança agora!
Eu quero mesmo é trabalhar.
A rainha então perguntou:
— Você sabe fazer o quê?
A cigarrinha respondeu:
— Eu sei cantar, pode crer!
A rainha abriu um sorriso:
— Então já sei seu lugar.
Use a força da sua arte
E venha aqui trabalhar!
Cante, cigarrinha, cante!
Sua arte tem seu valor.
Há trabalho nas palavras,
Na música e no cantor.
Enquanto sua mãe cantava,
Sem ninguém sequer notar,
O serviço das formigas
Parecia menos pesar.
E a cigarrinha descobriu
Uma verdade encantadora:
Nem todo trabalho é enxada,
Nem toda arte é só uma hora.
Quem escreve, dança ou canta
Também pode trabalhar.
A arte também é trabalho
Quando nasce para transformar.

