As Entrelinhas Da História
Composição: Maria Aparec... Ver tudoAs entrelinhas da História,
a vida privada como chave,
para entender como os mitos
foram construídos através das eras.
Romper a ignorância voluntária,
entrar no laboratório do historiador,
buscar aquilo que ficou escondido,
questionar versões com rigor.
Refrão
A felicidade do homem
é uma felicidade guerreira.
Desligue as telas, visite os arquivos,
questione os mitos e as certezas.
Entender o passado é a única forma
de responder pelo presente,
pois a História vive nas entrelinhas
e transforma o nosso olhar para sempre.
Na Idade Média, a gula
era considerada pecado capital.
Com a Revolução Industrial,
outros hábitos chegam à mesa.
No século XIX surgem restaurantes,
pratos servidos e novos costumes,
e a gastronomia também revela
as transformações de outros mundos.
Refrão
A felicidade do homem
é uma felicidade guerreira.
Desligue as telas, visite os arquivos,
questione os mitos e as certezas.
Entender o passado é a única forma
de responder pelo presente,
pois a História vive nas entrelinhas
e transforma o nosso olhar para sempre.
As navegações trazem alimentos,
milho e batata atravessam fronteiras.
A nobreza transforma a carne
com molhos, sabores e maneiras.
No século XX chega o fast-food,
velocidade também vai para a cozinha.
E no Brasil nasce das misturas
uma culinária tão nossa e tão diversa.
Refrão
Desconstruindo as mulheres da História:
a louca, a santa, a emancipadora,
e aquela que os relatos transformaram
na grande devoradora de homens.
De um lado existe o mito popular,
do outro, a realidade histórica.
E algumas dessas mulheres tiveram
um fim marcado pela tragédia.
Chica da Silva entre mito e história,
mulher que o tempo reinventou.
Por trás das versões repetidas,
há uma vida que a pesquisa revelou.
Refrão
A cumplicidade do Brasil pardo,
a aristocracia das senzalas,
o poder oculto das matriarcas africanas,
o fim do Império e as netas dos barões.
A invenção do envelhecimento,
as mudanças entre as gerações:
houve um tempo em que os jovens
queriam parecer mais velhos.
Refrão
A brasilização da política,
o voto guiado pela aparência,
a vida privada revelando
o que se esconde sob as aparências.
E o peso antigo do patriarcado:
“homem não chora”, “homem é forte”.
O impedimento da fragilidade
também atravessou nossa história.
Refrão
No DNA da sociedade,
família, concubinato e sobrevivência,
encontros, conflitos e mestiçagem
construindo nossa experiência.
O passado não é peça de museu,
nem uma verdade já terminada:
quando abrimos novamente os arquivos,
a História pode ser interrogada.
Refrão final
A felicidade do homem
é uma felicidade guerreira.
Desligue as telas, visite os arquivos,
questione os mitos e as certezas.
Entender o passado é a única forma
de nos responsabilizarmos pelo presente.
Leia as entrelinhas da História:
o passado ainda fala com a gente.

