Carona De Professora
Composição: Maria Aparec... Ver tudoCinco e meia da manhã,
mal o dia clareou,
na beirada de uma estrada
uma professora parou.
Se o ônibus já tinha ido,
não adiantava chorar:
quem tinha aluno esperando
dava um jeito de chegar.
Passava carro, caminhão,
ela fazia sinal.
Às vezes vinha uma carona,
às vezes um temporal.
E quem pensa que dar aula
começava ao entrar na escola,
não conhece a professora
que já chegava com história!
**Refrão**
Ô, minha filha, vai com fé,
que hoje tem aula outra vez!
Se não couber lá na frente,
lá atrás talvez dê pra três.
Tem poeira, barro e chuva,
tem buraco pelo chão.
Não precisa o nome da santa:
**pra chegar já é milagre, então!**
Uma colega descobriu
um segredo sensacional:
— Põe a moça lá na frente,
que a carona vem ligeiro!
Ela acenava na estrada,
o motorista encostava.
Pensando levar somente uma...
**um monte de mulher chegava!**
E não mostrou nem as pernas,
não precisou produção.
Era uma professora à vista
e uma turma de prontidão!
**Refrão**
Ô, professora, faz sinal,
que alguém há de parar!
Uma aparece na estrada,
cinco começam a embarcar.
Quando o motorista entende
como funciona a operação,
já virou transporte escolar
**sem nem pedir contratação!**
Teve uma que chamou colega
pra não viajar sozinha.
Queria só companhia
pra enfrentar aquela linha.
A viagem foi dando assunto,
o coração entrou no meio:
ela procurava companhia,
**arrumou casamento alheio!**
Teve um dia em que disseram:
— Minha filha, aqui não dá!
A cabine estava cheia,
não tinha onde se sentar.
Mas professora é professora,
sempre encontra solução:
foi em cima de uns tijolos
sacolejando no caminhão!
Outra vez sobrou atrás,
junto ao povo da estrada.
No meio daquela viagem
veio uma chuva danada.
Chegou igual pinto molhado,
da cabeça até o pé.
Uma servente emprestou roupa:
— Vem cá, professora, mulher!
Quando voltou para casa
veio logo a interrogação:
— Menina, que roupa é essa?
O que houve nesse mundão?
— Tomei um banho de chuva,
roupa emprestada eu vesti.
E antes que alguém se preocupe,
**já passei no posto daqui!**
**Refrão**
Ô, minha filha, vai com fé,
que amanhã começa outra vez!
Poeira hoje, chuva amanhã,
e sabe Deus o que vem depois.
Quem vê professora na escola
com seu livro e seu giz na mão
nem imagina a novela
que foi conseguir condução.
Uma perdeu o seu ônibus
e foi pra estrada esperar.
Um senhor parou o carro
e resolveu perguntar:
— Moça, você é tão bonitinha,
não tem medo de andar assim?
Ela pensou: “Lá vem cantada...”
Mas não era bem o fim.
— É que você me lembra as filhas,
por isso vim perguntar.
Fico pensando quando são elas
que precisam de uma carona arranjar.
E a professora foi seguindo,
mais uma história pra coleção:
na estrada a gente encontra
medo, cuidado e proteção.
E teve professora ainda
que dava aula em “Terra Santa”.
Quando alguém soube do nome:
— Nossa Senhora, que chique! Encanta!
“Chique?”, pensou a coitada,
com poeira até no cabelo.
**Parece que estou no aeroporto,
só faltou buscar a mala primeiro!**
**Ponte**
Hoje tem estrada asfaltada,
carro passa sem sacudir.
Mas muita professora sabe
o que enfrentou pra conseguir.
Teve barro, teve poeira,
teve chuva e caminhão.
Teve gente que abriu a porta,
teve gente que estendeu a mão.
**Refrão final**
Ô, professora, conta a história,
não deixa o tempo apagar.
Antes de chegar à escola,
já tinha muito pra contar.
Se hoje a estrada está tranquila,
houve um tempo de provação.
Não precisa o nome da santa,
nem o nome da professora, não:
**basta contar o milagre
de chegar pra dar a lição!**

