O Último Andar (1)
Composição: Maria Aparecida de Almeida.intro]
Homenagem a Cecília Meireles
[verso]
Troc… troc… troc… troc…ligeirinhos, ligeirinhos,
troc… troc… troc… troc…vão cantando os tamanquinhos…
Madrugada. Troc… troc…pelas portas dos vizinhos batendo,
Troc… troc…vão cantando os tamanquinhos…
Enquanto não tem foguetes para ir à Lua,
os meninos deslizam de patinetepelas calçadas da rua.
Vão cegos de velocidade:mesmo que quebrem o nariz,
que grande felicidade!Ser veloz é ser feliz.
Vamos embalar as flores?
As flores querem dormir!...
Já não se escutam rumores:
e a noite não tarda a vir!
La-Lá-la-ri-la-lá-lá-lá.
O sonho de Olga
Uma espuma
com letras de alga
o sonho de Olga
No último andar é mais bonito:
do último andar se vê o mar.
É lá que eu quero morar.
O último andar é
mais longe:
custa muito a lá chegar.
Mas é lá que eu quero morar.
Eu ando sozinha no meio do vale.
Mas a tarde é minha.
Meus pés vão pisando a terra que é a imagem da minha vida
tão vazio, mas tão bela, tão certa, mas tão perdida!
Eu ando sozinha ao longo da noite.
Mas a estrela é minha
Olha a bolha na mão
que trabalha!
Olha a abertura de sabão
na palha:
brilha, espelha
e se espalhar
Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Não conheço nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.
Quem me compra um jardim
com flores?
borboletas de muitas
cores,
lavadeiras e passarinhos
ovos verdes e hortícolas
nos ninhos?
Na chácara do Chico Bolacha,
o que se procura
nunca se acha!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

