Ofélia E Eugênio
Composição: Maria Aparec... Ver tudoFui vender meus audiobooks,
Pensei: “Vai ser bem ligeiro!”
O computador me fez advogada,
Crítica e jornalista primeiro.
Inventou biografia narrada,
Narração profissional,
Depoimento de aluno inexistente
E uma trilha institucional.
Eu dizia: “Não inventa,
Faça só o que eu mandar!
Não crie diploma nem cliente,
Nem prometa o que não há!”
Confira o título e a descrição,
Veja o arquivo e o botão,
Porque basta uma distração
Para nascer outra profissão.
Se a música não for minha,
Pode logo retirar;
Melhor deixar sem vinheta
Do que a página descaracterizar.
Audiobook não é milagre,
Nem lugar para exagerar:
Fale apenas a verdade…
Eia, eia, vamos trabalhar!
Ofélia e Eugênio
Fui vender meus audiobooks,
Pensando ser bem ligeiro,
Mas Ofélia abriu a página
E mudou o projeto inteiro.
Deu diploma de advogada,
Fez discurso de especialista,
Mais um pouco e me anunciava
Como crítica e jornalista.
Ofélia fala, Eugênio vê,
E eu tentando trabalhar,
Quando o computador inventa,
Só me resta reclamar.
Confira tudo, não confie,
Antes de publicar:
Eia, eia, vamos trabalhar!
Eu pedi: “Conserte a capa,
Não precisa melhorar!”
Ela trouxe mil ideias
Que ninguém foi solicitar.
“Mude apenas este trecho,
Não invente, por favor!”
Mas Ofélia fez palestra
Sobre página e comprador.
Inventou biografia narrada,
Narração profissional,
Análise literária profunda
E uma trilha instrumental.
A música não era minha,
Parecia vinheta de canal:
“Pode tirar essa invenção,
Isso aqui não é normal!”
Ofélia fala, Eugênio vê,
E eu tentando trabalhar,
Quando o computador inventa,
Só me resta reclamar.
Confira tudo, não confie,
Antes de publicar:
Eia, eia, vamos trabalhar!
Depois sugeriu depoimentos
De alunos que nunca ouviu,
Com fotografia e elogios
De um cliente que não existiu.
Eu gritei: “Seção Pinóquio
Não vai entrar no meu lugar!
Não invente prova social,
Fale apenas o que há!”
Eugênio olhava a confusão,
Ofélia não queria calar,
“Cala a boca, dona Magda,
Deixe a Maria trabalhar!”
Eu quase fiz um desenho,
Com uma seta a apontar:
“É somente esta parte,
Não precisa reformar!”
O meu trabalho tem pesquisa,
Tem revista e tem canção,
Slides viram lindos vídeos
Feitos com dedicação.
Cada autor ganha uma música,
Uma forma de homenagear,
Literatura descontraída
Para aprender e se encantar.
Ofélia fala, Eugênio vê,
E eu tentando trabalhar,
Quando o computador inventa,
Só me resta reclamar.
Confira o título e o botão,
Veja tudo antes de enviar:
Eia, eia, vamos trabalhar!
No final, Ofélia entendeu,
Quando eu parei de explicar:
“Não dê ideias, não invente,
Faça só o que eu mandar!”
Eugênio viu a página pronta,
Eu respirei sem acreditar:
“Graças a Deus ficou do meu jeito,
Agora posso publicar!”
Ofélia fala, Eugênio vê,
E eu já sei como lidar:
Se a máquina inventar histórias,
Eu começo a comandar.
Dona Maria vence a luta,
Cidinha põe tudo no ar,
E depois de tanta doideira:
Eia, eia, vamos trabalhar!

