Parê E Cibiça
Composição: Maria Aparec... Ver tudoTudo começou nos tempos da escola,
Quando o mundo cabia num corredor,
Tinha conversa, segredo e risada,
E amizade nascendo sem nenhum favor.
Primeiro veio a irmã da Cibiça,
Companheira de tanta confusão,
Depois apareceu aquela menina bonita
Que Parê olhou com certa desconfiança então.
“Essa menina é meio metida...”
Foi a primeira impressão de Parê.
Mas o tempo, que entende das coisas,
Disse baixinho: “Você ainda vai ver.”
E viu.
Vieram conversas, vieram risadas,
E um apelido que ninguém mais explica:
De um lado alguém gritava “Parê!”,
Do outro respondia a tal da Cibiça.
**Parê e Cibiça,
Quantos anos já passaram?
Quantas estradas diferentes
Nossos passos encontraram?
A vida muda tanta coisa,
Faz a gente até se perder,
Mas há amizades que o tempo
Não consegue desfazer.**
Um dia Parê chegou do trabalho
Com uma novidade para anunciar:
“Cibiça, a diretora está te convocando,
É melhor você se preparar!”
Não era convite, nem entrevista,
Parê já tinha decidido a questão.
Pegou o telefone daquela época
E fez sua própria convocação.
E Cibiça foi.
Vieram escola, alunos e caminhos,
Vieram escolhas que ninguém previu.
A irmã da Cibiça foi morar tão longe,
E a vida de cada uma prosseguiu.
Uma foi daqui, outra foi dali,
Cada qual procurando seu lugar,
Mas amizade verdadeira tem dessas coisas:
Pode ficar longe sem deixar de ficar.
**Parê e Cibiça,
Quantos anos já passaram?
Quantas estradas diferentes
Nossos passos encontraram?
A vida muda tanta coisa,
Troca endereço e direção,
Mas quem virou família um dia
Continua no coração.**
Havia uma mãe naquela história
Que acolhia Parê como filha também,
E dizia sorrindo: “Essa menina é poetisa!”
Talvez enxergasse mais longe que ninguém.
O tempo correu.
A menina continuou escrevendo,
Inventando histórias e canção,
Até que um dia contou suas novidades
Para uma amiga daquela geração.
Do outro lado veio a resposta,
Simples como sempre deveria ser:
**“Parê, faz isso mesmo.”**
E naquele instante não havia distância,
Nem calendário para contar.
Eram novamente aquelas meninas
Que sabiam juntas brincar.
**Parê e Cibiça,
A irmã da Cibiça também,
A vida espalhou nossos caminhos,
Mas não levou o querer bem.
Não precisamos estar todo dia
Para saber quem a gente é.
Basta uma mensagem atravessar o tempo:
“Vai em frente, Parê.”**
Talvez amizade seja exatamente isso:
Não impedir ninguém de partir,
Mas deixar uma porta entreaberta
Para quando alguém quiser ressurgir.
E quando um velho apelido reaparece,
Não importa quanto tempo passou:
**Cibiça ainda sabe quem é Parê.
E Parê nunca se esqueceu
de quem ficou.**

