Outra Mão
Composição: Egberto Dant... Ver tudoOUTRA MÃO
Composição: Egberto Dantas
Te conheci por acaso numa tela,
duas cidades e uma estrada entre nós.
Depois vieram os primeiros encontros,
e eu já fazia planos pra nós dois.
Havia sinais que eu não queria ver,
mas diante da verdade eu fui um cego.
O olho enxergava antes do coração,
e por amor negava o que hoje enxergo.
A gente tinha ingresso praquele show,
eu já contava as horas pra te encontrar.
Você falou que estava com dor de cabeça,
que era melhor ficar em casa e descansar.
Disse que eu podia ir mesmo sem você,
meus amigos insistiram pra eu sair.
Mas se aquela noite era nossa,
que graça teria sem você ali?
Eu fiquei.
Porque quem ama às vezes fica
quando o mundo inteiro chama pra sair.
Eu fiquei,
acreditando que naquela noite
você tinha escolhido mesmo ir dormir.
A televisão falava sozinha,
meu sono começava a chegar.
Até que o celular acendeu no escuro:
número desconhecido, nada pra explicar.
Reconheci tua mão pelo anel que eu te dei,
mas demorei a processar a informação.
Meu presente ainda estava no teu dedo.
Meu lugar já estava em outra mão.
Eu ainda procurava uma desculpa
quando outra imagem apareceu.
No show que a gente não foi,
você estava lá, menos eu.
As luzes acesas atrás de vocês,
alguém exatamente no lugar
onde naquela noite eu deveria estar.
Mas a verdade nunca chega sozinha.
Quando vi você beijando uma boca...
E aquela boca não era a minha.
Meu corpo parou.
Só meu coração não.
Meu corpo parou.
Só meu coração não.
Saí sem rumo, entrei num bar,
pedi qualquer coisa forte pra beber.
Mas álcool nenhum apaga uma imagem
quando é o coração que insiste em rever.
O bar fechou, a noite foi embora.
Sem condição alguma pra dirigir,
fui andando até encontrar uma praça
e sentei esperando o sol surgir.
O sol nasceu no horário de sempre.
Ninguém naquela rua sabia
que o meu mundo tinha desabado,
enquanto a cidade simplesmente seguia.
Como se nada tivesse acontecido,
vi o dia passar apressado.
E foi ali que eu entendi:
o mundo continua
enquanto o seu parece ter parado.
E quando a dor começou
a se acomodar no meu peito,
levantei quando o relógio marcou seis.
Jurei que nunca mais ia sofrer daquele jeito.
E talvez eu consiga...
pelo menos até
me apaixonar outra vez.
