Agonília II
Composição: Achiles Neto e Marcus Marinho.Interpretação: Achiles Neto e Marcus Marinho
Vem das cinzas meu cantar
Meu deserto em tuas águas
O meu corpo é todo espinha e há de ser
Pó das escamas queimadas
Lembro pouco do lugar
De onde venho ou quase nada
O mar morto se avizinha e pode ser
Nódoa das terras rachadas
Mangues das raízes, braços nas lamas
A fartura estava a transbordar o rio
O cardume dançava e as algas a remar
As margens protegiam todo o caminhar
Na paisagem matizes enfeitando a vista molhada
Que nada... Meros devaneios de vidas passadas
A brisa sinaliza a vinda dos temporais
Vem trazer a notícia das bandas do sertão
Que pelo chão brotara o mar
Castelo de areia nos corais que vibram
Anunciar: vai virar mar o sertão! Que nada...
Escolhi por não lembrar
De onde venho ou quase nada
Nasci torto e o meu relato há de ser
Mó de flores estragadas
Tantas cicatrizes, berço das manhas
Criatura em dor a imaginar o rio
O sol quente queimava e as águas escondidas
Embaixo das estradas com rachas compridas
Todos os meus deslizes a morrer na pista rachada
Que nada... Meros cangaceiros de vidas traçadas
A brisa sinaliza a vinda dos temporais
Vem trazer a notícia das bandas do sertão
Que pelo chão brotara o mar
Castelo de areia nos corais que vibram
Anunciar: vai virar mar o sertão! Que nada...

