Sonetos Mágicos
Composição: Laécio Beethoven.Interpretação: Laécio Beethoven
I
O pássaro criou seu próprio canto
E o canta geração a geração.
Isento à norma de composição
Oferta à natureza o acalanto!
Contrário ao “deprê”, ao melananto,
Floreia a alegria da estação;
Solfeja na magia da inspiração
O céu, o tempo, a luz, o rio, o santo.
A voz é a expressão mais bucolista;
Os cantos são tesouros do artista.
Pior que “mal-cantar” é silenciar-se!
Bradar, berrar, gritar, tudo é louvável!
Na arte do soar tudo é saudável!
Cantai como com Deus dialogasse!
Oh, mágico momento! Leve no vento este cantochão!
Traga na brisa o tempo da inspiração.
Oh, mágico momento! Leva no vento esta melodia!
Traga da musa dons e a fantasia.
II
O som que nasce e morre em segundos
Renasce noutra boca cantadeira,
Nas cordas da viola beiradeira,
No trino dos canários vagamundos.
Desperta sentimentos tão profundos
Habita a memória cancioneira;
É calma na harmonia da cachoeira;
É paz e conversão aos moribundos.
Buscando eternamente graça e bravo,
Sendo ave, planta, gente, fel ou favo,
Vagueiam passarinhos/cantadores.
Por nada, tudo, fé, razão, comida;
Até de o esquecimento ter guarida,
Cantaram, cantas, canto sem pudores!

