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Vida de Bagaceira

Composição: Júlio Cézar Leonardi

“E agora vou dar uma passeada lá no rancho do meu amigo Roque Dal Vesco, na costa do Uruguai, tomar uma canha, comer um churrasco, tocar uma cordeona na beira do rio... fui!” Já desgrudou a sola da minha alpargata, e eu ando às cata de uns “pila” pra consertar; até pro vício tá me faltando dinheiro, e o bolicheiro diz que não vai mais me fiar; meu rancho velho tá se desmanchando todo, e eu já tô doido com tanta conta vencendo; mas não me abalo, e a tristeza não me agarra, já tô saindo pra farra e volto com o sol nascendo. Como é difícil a vida de um bagaceira, só rolando pelas beiras e fazendo o que não presta; botando panca num estilo bem bacana, todo dia da semana sou parceiro pra uma festa. Juntei os trapos com uma china assanhada, e a desgramada anda falando em me largar; diz que trabalha só pra sustentar chupim igual a mim, que só pensa em vadiar; por conta disso, já juntei meus cacarecos, alguns tarecos sem nenhuma serventia; quando me viu com minha trouxa porta afora, me pediu: “Não vá embora, que eu te aguento mais uns dias”. Como é difícil a vida de um bagaceira, só rolando pelas beiras e fazendo o que não presta; botando panca num estilo bem bacana, todo dia da semana sou parceiro pra uma festa. Meus companheiros tão me tirando o sossêgo; algum emprego tão querendo me arrumar; e a parentada se desviando, feito “lôco”, esconde os “trôco”, pra não ter que me emprestar; vou me encostar numa viúva bem ricaça, que satisfaça “meus capricho” e não me deixe; assim, consigo tudo que sonhei na vida, dinheiro, casa e comida, e mulher que não se queixe. Mas como é boa a vida de um bagaceira, só rolando pelas beiras e fazendo o que não presta; botando panca num estilo bem bacana, todo dia da semana sou parceiro pra uma festa.

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