Lembrando O Passado E Estranhando O Presente
Composição: Kiko di Faria.Lembrando o Passado
Kiko di Faria
A como eu sinto,
Saudade lá da roça.
Quantas saudade sinto do interior.
Da vida simples, do meu rancho, e da palhoça. Da lua cheia espalhando o seu fulgor.
Quando me ponho, a lembrar desse passado. Fico abismado, de como tudo mudou.
Quarenta anos, fazem que estou na cidade. Longe do campo, da terra onde eu nasci.
Nossos costumes, nossas crenças, nossas lutas. Dão diferentes, de tudo que conheci.
Mesmo a roça, hoje está tão diferente. urbanizada, está moderna e imponente.
Lembro ainda, do meu tempo de criança.
Da moda antiga dos tempos, de antigamente.
E ao lembrar, sinto saudade e até estranho.
A vida de hoje é bem mais fácil, do que era. Mas me parece, que nos lindos dias idos... Tinham mais cores, as flores da primavera.
O sol dourado do verão, era mais intenso.
E a chuvarada do inverno, mais potente.
Os belos frutos, da estação do outono, eram mais sabórósos e também, mais abundantes.
Até às músicas de hoje, todas mudaram.
A poesia do sertão, quase acabou.
Os sertanejos andam a cantar qualquer coisa. Pois não viveram, essa essência do sertão.
São sertanejos, mas nunca foram matutos, nem caipiras, lavradores... ou peão.
Cantam o sertão. Mas com a cara, da cidade.
Pois desconhecem, a matéria prima, do modão.
Eu não os culpo. Pois sei que a maioria, são sertanejos da cidade não conhecem. A vida da roça que forja o violeiro bão.
Cantam, dinheiro, carro, roupa, fama e sexo. Pouco viveram, pra saber o que é saudade.
Nunca tocaram a boiada pelas estradas. Ganham a vida, a cantar frivolidades.
Vendendo marcas, sem as marcas do sertão.
Nunca tocaram o carretão, pelas estradas, nunca montaram, numa festa de peão.
Nunca fizeram serenata apaixonados,
Vendo na lua, o rosto da mulher amada.
Que me perdoem esses moços sertanejos.
Pois são sertanejos, sem saber o que é sertão.
Ou o que é: o choro de uma viola, chorando as mágoas numa noite enluarada.
Ouvindo as águas, a cantar lá no grotão.
Peço desculpas, pois não quero ofender.
Meu desabafo, é suspiro incontido.
É que chegando, a essa altura da vida.
Olho pro mundo, e me sinto meio perdido.
Trabalhei tanto, amei muito e fui amado.
Hoje sou um velho, a relembrar o que passou.
E ao olhar para o passado eu me espanto.
Pois vejo o tanto, que tudo isso mudou.
E ao olhar para o passado eu me espanto.
Pois vejo o tanto, que tudo isso mudou.

