O Silêncio Do Amor
Composição: Kiko di Faria.O Silêncio do Amor
Kiko di Faria
Seu nome era Florêncio,
Mas de Cambú era chamado,
Era esse o apelido que por todos lhe foi dado,
Negro forte e robusto,
Trabalhador respeitado,
Servo fiel e amigo, de Seu Tião delegado.
Tinha uma vida difícil,
De matuto sertanejo
Se apaixonou por Maçala,
De quem roubara um beijo.
Foi na reza do João Preto, hoje em dia Piçarrão,
Onde a mulata Maçala lhe roubou a atenção,
Ele um negro discreto,
Servindo com devoção
Nos preceitos da família, que tinha por tradição,
Rezar e fazer folia
Para São Sebastião.
Viu em noite enluarada, nas águas do ribeirão,
A nudez da mulata,
Maçala sua paixão.
Não resistindo aos encantos, da flor negra do sertão,
Se aproximou sem reservas, e abriu seu coração,
Por ela foi acolhido,
Sem reserva ou temor,
E nas águas cristalinas
Sacramentaram o amor.
Nem uma palavra foi dita,
só o céu testemunhou,
Porque os dois eram mudos,
E disso nunca falou,
Mas o que a voz escondeu,
E o veto dissimulou,
Dia a dia para o mundo, o olhar então revelou.
Mas sendo os dois cativos,
Não puderam juntos ficar,
Viveram então separados,
Sem nunca poderem casar,
Mas no silêncio dos amantes,
Se amaram sem cessar,
Depois da morte se uniram,
Sob a luz do luar,
Encantando a velha fonte,
Eternamente a jorrar,
Lá na Praça da Maçala,
Quem quiser então verá,
No cantarolar das águas,
Uma confissão se dá,
É Maçala e Cambú,
Juntos a se declarar,
Falando de um amor mítico, que pode abençoar,
Casais que com aquelas águas, se benzerem e amor jurar.

