Olhos Dágua Da Mariana
Composição: Kiko di Faria.Olhos d'água da Mariana
Kiko di Faria
Um olho d'água, doce, pura e cristalina, jorrando belo a fecundar aquele chão,
Era um recanto, pertinho da Capetinga, onde morava, a dona do meu coração.
Seu olhos claros, doces, puros e cristalinos,
Enfeitiçavam, os rapazes do sertão,
Todos sonhavam com o amor dessa menina, de cuja a sina, me lembro com emoção.
Quem conheceu os olhos d'água da Mariana, ainda se lembra, e sabe do que estou falando,
Quem não conheceu, nem pode imaginar...
Mas com certeza,
Com eles, vivem sonhando.
Porque as águas, dos olhos da Mariana, é que enchiam o olho d'água da nascente,
Seu pranto fácil, de menina virtuosa, emocionava, o coração de toda a gente.
Atenciosa, doce, meiga e gentil, determinada, forte e muito corajosa,
Era assim, aquela moça que amei, mas que perdi, de forma assim tão lamentosa.
Quando sonhávamos, construír o nosso ninho,
O impaludismo, minha sorte devastou,
Aquela febre, castigou a Mariana, e com seus olhos, todo o sertão chorou...
Fiquei sozinho, a lamentar a minha sorte,
E com a morte dela, até o olho d 'água secou.
No campo as flores, ressecaram e murcharam, como que sofrer, comigo a mesma dor.
Naquele ano, nem mesmo a chuva caiu, e a fome veio, castigando o nosso chão.
Sofreram todos, do sertão da Capetinga, a terra, a erva, a gente e a criação.
Após um ano, de luto e de estiagem,
O olho d'água, voltou a jorrar então,
A chuva veio, e trouxe de volta a fartura,
Levando embora, a triste poeira do chão.
A Mariana, morrera ainda tão jovem,
Levando embora, parte do meu coração...
Deram seu nome, à nascente cristalina,
Onde joguei, o símbolo da nossa paixão.
Nossos anéis, de compromisso feito em ouro, que por pouco tempo, estiveram em nossas mãos.
Eu sepultei, no olho d'água o nosso sonho...
Mas mesmo hoje, cinquenta anos depois.
Quando visito, o olho d'água em Capitinga,
Ainda choro, de saudade de nós dois.
Ainda choro, de saudade de nós dois.

