Maneva

Maneva

EstiloReggae
Cidade/EstadoSão Paulo / SP
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Cabelo Pixaim

Composição: Tales de Polli

Louça na pia e o pensamento no amado Sentiu a água nas mãos e um tremor leve nos lábios Sensação de um frio que percorreu sua espinha Vida dele por um fio, sexto sentido sabia Ela tentou o contato, mas ele não atendia O desespero tomou conta e logo chegou a notícia Perda irreparável que acabou com a família Era dor e revolta só o que ela sentia Ouviu um barulho surdo e pensou que era o fim Sentiu cheiro de queimado no cabelo pixaim Por um instante sua vida lhe passou como um raio Divagou se acabou, se ele viveu o necessário Pensou na sua família e na mágoa que ficou Nos pedidos de desculpas que pensou e não falou E pensou na sua preta, nos momentos de alegria Sentiu um beijo repousando na sua face: a despedida Lembrou dos olhos de sol Que iluminava sua vida Lembrou do sorriso solto Que ele nunca mais veria A realidade agora deu lugar a um pesadelo E a luta pela vida deu lugar ao desespero Mas por que logo ele, sempre foi trabalhador Não é culpado da miséria, situação do atirador Engajado e envolvido em projetos sociais Mesmo assim não foi poupado pela mão dos marginais Tudo preto, o rancor se mistura com o medo Guerra é guerra, e sempre traz dor constante e sofrimento Sentiu raiva, mas passou, e pensou que era sua hora Mas seu filho o esperava no portão de uma escola Dos jornais sensacionalistas já virou notícia Pro governo virou número, aumentou a estatística O que se fazer? Famílias destruídas são notícias da TV Chega de Sofrer O abismo social mata eu, mata você Carro sem roda, pião e uma pipa rasgada No seu barraco era esse o lazer da criançada Muitas vezes já jurou que ele não roubaria Mas a falta de feijão orquestrava o choro da filha Era um bom coração, mas tinha vários pecados Alguns furtos, coisa boba só pra adiantar um lado Mas cansou de coisa pouca, foi na ideia de um irmão "É só uma, duas horas e já é dinheiro na mão" É só por o cano na cara, pra não esboçar reação Depois só para no banco, faz o saque com cartão Um já fica com o refém na campana, sem dar guela Depois só larga o patrício em algum beco da favela Chegou a hora e o gelado do aço na barriga O nervosismo se instala, e se despede da filha Reza um pai nosso em silêncio, clama à Nossa Senhora Não deseja que uma bala seja o fim da sua história O que se fazer? Famílias destruídas são notícias da TV Chega de Sofrer O abismo social mata eu, mata você. No farol, carro parado, assalto anunciado O motorista tentou a fuga, um tiro foi disparado Atingiu o black power de um rapaz indefeso Tremedeira nas mãos, na consciência um peso Saiu correndo assutado, um bicho encurralado Ele estava de costas quando ouviu os disparos E caiu sem olhar pra trás já sem movimento Só ouvia as sirenes e o barulho do vento O coração apertado, remói arrependimento Já de olhos fechados, ele sofre em silêncio Pediu perdão, um devoto de Nossa Senhora Largado no chão, é chegada sua hora O que se fazer? Famílias destruídas são notícias da TV Chega de Sofrer O abismo social mata eu, mata você

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