O Idiota da Automação
Composição: Belisario Re... Ver tudoNo banco não tem mais gente, só botão pra apertar,
O gerente foi embora, e eu que tenho que operar.
Dizem que é mais prático, que é o futuro a chegar,
Mas o futuro sou eu a trabalhar e ainda pago por isso.
Sou cliente, sou caixa, sou o próprio funcionário,
Agora sou eu que passo, que pago, que empacóto,
Trabalho de graça num mundo milionário.
Dizem que é progresso, mas é só demissão,
O patrão lucra alto, e eu gasto um montão.
Pago por tudo isso e ainda acho bom!
Que idiota útil que não vê a exploração.
No mercado o sorriso virou um código de barras,
A moça do caixa sumiu e a máquina assumiu.
Agora sou eu que passo, que pago, que empacóto,
Enquanto o dono goza dos lucros a custa dos tolos.
Sou cliente, sou caixa, sou o próprio funcionário,
Agora sou eu que passo, que pago, que empacóto,
Trabalho de graça num mundo milionário.
Dizem que é progresso, mas é só demissão,
O patrão lucra alto, e eu gasto um montão.
Pago por tudo isso e ainda acho bom!
Que idiota útil que não vê a exploração.
Na fábrica o som mudou — mil olhos sem olhar,
Robôs que nunca dormem, nem param pra pensar.
A linha segue muda, perfeita, sem perdão,
E o homem vira sombra no chão da produção.
Chamam de automação, eu chamo de solidão,
Tiraram o humano, puseram programação.
No nome da eficiência, me chamam de moderno,
Mas é só mais um truque pro lucro eterno.
Sou cliente, sou caixa, sou o próprio funcionário,
Agora sou eu que passo, que pago, que empacóto,
Trabalho de graça num mundo milionário.
Dizem que é progresso, mas é só demissão,
O patrão lucra alto, e eu gasto um montão.
Pago por tudo isso e ainda acho bom!
Que idiota útil que não vê a exploração.
A máquina sorri e eu viro extensão.
Que idiota útil que não vê a exploração.
A máquina sorri e eu viro extensão.
Que idiota útil que não vê a exploração.
A máquina sorri e eu viro extensão.
E o absurdo virou normal!

