Antes Do Primeiro Passo
Composição: Flavio Ricardo Melazzo.Antes do pó,
antes do nome,
antes do peso do corpo,
nós já éramos.
Não havia fome,
não sentíamos dor.
Não havia toque,
mas existiam consciência e amor.
Uma pergunta rompia
o silêncio.
E havia uma escolha a fazer.
Não fomos empurrados nem enganados.
A porta nos foi mostrada,
mas para obtermos a chave
uma decisão teria que ser tomada.
Sabíamos
que, ao atravessar,
perderíamos a lembrança,
mas não o propósito.
Aprendemos que haveria dor,
porque crescer exige sacrifício.
Que haveria quedas,
porque caminhar sem amarras
é parte do aprendizado.
Mas também nos foi mostrado
que o sofrimento não seria vazio.
A fé,
não como certeza,
mas como decisão diária.
A obediência,
não como submissão,
mas como alinhamento
com algo maior do que o medo.
E a oração,
não como pedido,
mas como lembrança
de quem somos
quando o mundo tenta nos convencer do contrário.
E antes que o véu fosse colocado,
houve uma voz que se levantou.
Não para obrigar,
não para tomar a escolha de ninguém,
mas para defendê-la.
Era nosso irmão mais puro.
Ele sustentou o plano
quando a liberdade parecia arriscada demais.
Ele afirmou que o amor
valia o preço da dor.
Foi por Ele
que recebemos o direito de nascer na Terra,
de agir por nós mesmos,
de errar, aprender e escolher.
E quando ficou claro
que não seríamos suficientes,
Ele se ofereceu
para completar o que nos faltaria.
Assumiu a dívida
que não sabíamos como pagar.
A expiação,
não como fuga da justiça,
mas como ponte.
Ao escolher descer,
aceitamos o véu.
Aceitamos esquecer
para aprender de verdade.
Cada ato correto aqui
é um eco daquela escolha antiga.
E no fim,
quando o caminho parecer alto demais,
vamos entender:
Não viemos comprar a subida.
Viemos construí-la.
Degrau por degrau.
Escolha por escolha.
Confiando que,
quando nossas forças cessarem,
a graça já terá preparado
o que precisamos para voltar.
E reconheceremos o lugar,
não porque ele é novo,
mas porque sempre foi
nosso lar.

