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Roby Cruz

Roby Cruz

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Restaura Minha Batida.

Composição: Roberto Cruz... Ver tudo
Sei que existiu a chama, porque ainda guardo a cinza. Sei que o mar soube a sal pelo salitre em cada brisa. Mas hoje toco a ferida e não acho o que era, tá tudo no lugar, mas nada me completa. Guardo todas as canções que me rasgavam por inteiro, eu toco e soam ocas, eco sem dono, sem cheiro. Olho pra cima, sei que é céu, e as estrelas não me espantam, e a chuva que cai em mim já não desperta minhas mágoas. Não me pergunte quem, não sei que mão tão fria roubou o meu medo enquanto eu dormia. Já não sinto aquele peso da luz ao despertar, já não sinto na chuva o sabor do meu lar. Quero que esse vento despenteie a razão, que o sangue me incendeie sem pedir explicação. Não é capricho, é a seiva pra ser, restaura minha batida e me deixa crer. Olho no espelho e reconheço cada osso, mas a alma se mudou sem avisar, num só sopro. Tenho a casa arrumada e a mesa já está posta, mas o pão não alimenta, e a sede não tem resposta. Minhas mãos sabem a forma de abraçar um corpo, mas a cor já não viaja, só me resta o esboço. E eu sei que devia odiar essa calma que me nomeia, mas nem o ódio acha abrigo nessa sombra que me enleia. Não sei se foi o esquecimento, o cansaço ou a rotina, mas eu sei que sem aquilo eu me perco na neblina. Já não sinto aquele peso da luz ao despertar, já não sinto na chuva o sabor do meu lar. Quero que esse vento despenteie a razão, que o sangue me incendeie sem pedir explicação. Não é capricho, é a seiva pra ser, restaura minha batida e me deixa crer. Não quero entender o mapa, eu quero pisar a terra, que os joelhos me tremam quando rugir a tormenta. Prefiro mil vezes o corte de uma ferida a essa calma anestesiada onde não dói a vida. Devolve o meu tropeço, o desajeito de estar vivo, porque o homem sem tombo vive meio adormecido. Não sei quem foi, não importa o nome nem o destino, só quero que o vazio não seja o fim do meu caminho. Quero sentir o peso... da luz ao despertar... provar também a chuva com gosto de ti, de mim, de lar... Não é pra querer, é só pra respirar, restaura o meu sorriso que esqueci ao caminhar. E se eu for esquecer, que seja sentindo o adeus, não essa morte em vida que o relógio me deu. Devolve a minha dor... que sem ela... não sou eu.

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