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Sobrevivente Moral

Sobrevivente Moral

Cidade/EstadoCarapicuíba / SP
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Cenas De Dor

Composição: Nildo

Nildo Escuto barulho de chuva no telhado do meu barraco Pra quem mora onde a seca domina motivo pra alegria mais pra mim tristeza, agonia e assim eu fico desesperado Porque o barranco com a chuva forte pode desabar a qualquer momento Acabar com minha vida e da minha família em poucos segundos e por isso eu fico tenso Então procuro ficar com o meu pensamento ligado a Deus Orando com fé para que através desse ato de esperança ele ilumine o meu caminho e o seu Alan O povo da favela infelizmente cresce lado a lado com o sofrimento Filho doente tendo na mente o pensamento De algum dia poder ter paz Talvez viver em um lar Onde quando chova não tenha receio de dormir Porque aqui infelizmente eu já vi Muitas famílias que perderam suas vidas Soterradas pela merda do barro junto aos escombros do barraco Que desabaram devido à chuva Deixando todos daqui em esperança somente amargura Nildo Essa vida dura sem estrutura nenhum ser humano merece Mas pelo mundo muitos têm tudo e assim se esquecem Que há semelhantes seus vivendo na miséria Sem esperança de ter paz só aguardando que seu corpo vá para debaixo da terra Porque na sua vida não teve estia sobrou apenas a dor Tipo um filho criado com amor Que devido ao meio que vive aderiu o caminho do vício Cansado de prato vazio de dormir a noite com frio Injuriado da merda da insônia que sempre tem nos dias de chuva Porque um desabamento a qualquer momento pode antecipar seu velório levando seu corpo a uma sepultura Deixando como herança o sofrimento e uma vida dura. Refrão Só vejo miséria, só vejo tragédia Causadas pela chuva Só vejo miséria, só vejo tragédia Famílias sem estrutura Só vejo miséria, só vejo tragédia Mortes nas vielas Só vejo miséria, só vejo tragédia Enxurrada nas favelas. Alan Mais uma noite de chuva que fez eu perder meu sorriso Porque de dia eu vi uma tia chorando porque perdeu seu abrigo A tempestade da noite acabou com seu barraco É um bem material, mas foi fruto do seu trabalho Chegou até a passar fome economizou de várias formas E por causa da enxurrada depois de algumas horas Tudo por água abaixo Vivendo dessa maneira quem é que não fica desesperado Nildo E por sorte dessa mãe de família não perdeu nenhum ente querido Pois na TV o que se tem visto Foram cenas de sofrimento Famílias sem lar no relento Chorando por ter perdido parentes, amigos No desabamento de terra que aconteceu na favela Essas cenas são deprimentes e causam no peito muita dor E quem poderia acabar com isso só pensa em artigos de valor Carro importado, corrente no pescoço, jóias nas mãos Só que um dia Deus vai julga-los e muitas cabeças vão rolar no chão Alan De todos aqueles que são mentirosos prometem e iludem ao próximo E só pensam em assinar o nosso atestado de óbito Fico revoltado observando o que eles mostram na televisão Criança esperança arrecadação de dinheiro é ilusão Eles fazem campanha pra favela que só fica na teoria Querendo ganhar o voto do pai de família da periferia E depois é só dinheiro em suas contas no exterior Com o fruto do nosso trabalho isso me injuria moro E suas famílias se sustentam com o dinheiro do imposto Todas taxas que são cobradas extorquidas do nosso bolso E assim o sofrimento aumenta sobrando pra gente somente o sufoco Junto com o desgosto. Refrão Só vejo miséria, só vejo tragédia Causadas pela chuva Só vejo miséria, só vejo tragédia Famílias sem estrutura Só vejo miséria, só vejo tragédia Mortes nas vielas Só vejo miséria, só vejo tragédia Enxurrada nas favelas. Nildo Ai mano eu quero que você enxergue a verdade Se embriagar, fumar, injetar não vai mudar nossa realidade Pra encontrarmos a felicidade só mesmo através da união Não é usando a violência acabando com a vida do seu irmão Que vai tornar o lugar que você está em um ambiente que seja bom Ai truta acredite com certeza vai haver o revide e vai ser a sua mãe que vai chorar em cima do seu caixão Alan A ideia que temos na mente é totalmente diferente É só a união entre a gente que nos fará seguir em frente Tudo bem eu to ligado eu sei que com esse cotidiano é difícil viver Porém temos que saber que a união tem que prevalecer Eu sei que dá revolta viver num barraco que cai com a chuva E ver os filhos e os parentes jogados no meio da rua Enquanto os boys que nada merecem ter nascem num berço de ouro Conseguem tudo que querem sem passar nenhum sufoco São otários que vivem as custas dos pais em mansões Pra mim esses que são os verdadeiros vacilões Nildo Se existissem direitos iguais nós já estaríamos no paraíso Vivendo em harmonia e assim não haveria indícios De sofrimento, fome, miséria assolando o povo do gueto Enquanto isso não acontece muitos daqui pagam o alto preço De perderem suas vidas sendo vítimas da covardia Que é ver um ser humano por causa da enxurrada perder a família Ficando sem ter noção de como será o seu dia a dia Fico sem argumentos meus pensamentos são abalados por essa sina Que infelizmente não é novidade e na periferia já virou rotina na periferia Cenas de dor que causam tragédia trazendo pra favela miséria, dor e agônia. Refrão Só vejo miséria, só vejo tragédia Causadas pela chuva Só vejo miséria, só vejo tragédia Famílias sem estrutura Só vejo miséria, só vejo tragédia Mortes nas vielas Só vejo miséria, só vejo tragédia Enxurrada nas favelas.

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