Carlos M. Retorna Ao Bairro Das Abóboras
Composição: Trágica Escória.I - Ralma, Máquina do Desejar
Deixa eu usar
máquina do desejar
por apenas um mês
serei bom freguês.
Dinheiro e mulata
peitos falsos, naturais.
Loira turbinada
gemidos falsos e reais.
Depois lhe direi
se a alma é corrompida
não assuma queirei
não ter disciplina.
II - As Ruas São Iguais
As ruas são iguais
outdoors diferentes
e os animais
ainda contundentes.
Eles choram, odeiam, enganam
o chão que atravessam, espantam.
Se sentem injustiçados, vítimas
nas histórias de suas escritas.
As ruas são iguais,
animais diferentes
iguais aos demais
tão inocentes.
III - Monstra Maquiada (Fulana L)
É claro, divorciada
depressiva, arrasada
continua amarga
sem partida, chegada.
Não esqueço como tratou
o bom moço, que ainda sou.
Minha ilusão devorada
pela monstra maquiada.
É claro, é novembro
céu cinza, pelo que lembro
de certo modo, aconchegante
o sol precisa estar distante.
IIII - Move Monte (Fulano L)
Você me dava conselho
quando eu tinha o mesmo medo.
Você olhava horizonte
com olhar que moveria monte.
Você usou mesmo cobertor
pra acabar com a mesma dor.
V - Bairro das Abóboras
Passo o bairro
miserável, engraçado
brega, destemido
sem vergonha do seu vício.
Não ligo mais
pra essas ruas e quintais
e ligo menos
para os adultos nojentos.
Passo a escola
que ensinou a fazer cola
resposta decorada
pra pergunta ensaiada.
VI - Casual Sobre o Final
Não há ninguém aqui
ela então sorri
adorável e trágica.
Ela é casual sobre o final
procuro em vão, lágrima.
Ela propõe procriar
um destino cujo o ar
pode amanhã, terminar.
Ela é casual sobre o final
procuro em vão, lágrima.
Ela propõe dirigir
pela estrada sem fim
até combustível acabar.
Ela é casual sobre o final
procuro em vão, lágrima.
VII - Fantasmas Conversavam
Fantasmas conversavam
alguns discordavam
assombravam amor
glória, esplendor.
Maioria sorria
para aquele que ria
do romântico podre
que vazava enxofre.
Fantasmas conversavam
gargalhavam
tudo inútil
certeza de confuso.
