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Walber Costa

Walber Costa

EstiloRock
Cidade/EstadoColatina / ES
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A Origem De Bento (O Filho Da Seca)

Composição: Walber Costa.
Título: A Origem de Bento (O Filho da Seca) Não teve beijo e nem abraço o tal do Bento Nasceu na seca, embalado pelo vento A mãe deitou debaixo de um umbuzeiro E o recém-nascido ficou pro mundo inteiro Nasceu no meio da caatinga impiedosa Num ano em que a chuva só trazia o desgosto O sol de rachar pedra queimava numa seca assombrosa A mãe fugindo da fome não suportou a dor Bento chorou o seu primeiro choro só Embalado pelo assovio do vento no sertão Três dias enrolado num farrapo e muito pó Bebendo o orvalho pra não morrer no chão Foi um tropeiro que achou a criatura Olhando pro céu pra curar a amargura E cresceu solto, como bicho no terreiro Sem ter escola, sem amor e sem dinheiro Ele não tinha um amigo ou parente Só a poeira e o sol queimando a mente. Mas quando a fome bateu forte no seu peito Ele encontrou Firmino, o dono do direito Que deu um prato de comida e um oitão E disse: "A partir de hoje tu manda nesse chão" Bento aceitou, não tinha o que perder E aprendeu rápido como é que faz doer Virou a sombra do patrão, um cão de caça Onde passava, esvaziava logo a praça. Matou posseiro, matou quem não pagou Matou quem a terra de Firmino cobiçou O nome Bento virou lenda de terror Um homem seco, sem alma e sem pudor E o dinheiro comprava o silêncio da cidade Onde o gatilho era a única verdade Até que um dia, a mando do senhor Foi lá pro norte cobrar um lavrador. A lenda de Bento crescia em cima dos caídos A porta de madeira podre ele quebrou A espingarda cantou, e o pobre homem tombou Mas quando a fumaça da pólvora baixou Um choro fino no escuro ecoou Lá no cantinho, um menino encolhido Olhando o corpo do seu pai abatido E Bento olhou pros olhos da criança E viu no espelho sua própria lembrança. A arma pesou como se fosse uma bigorna O peito deu um nó que a alma não contorna Ele deixou o seu revólver no chão de terra Decidiu que ali mesmo acabava a sua guerra Limpou as mãos na água fria do ribeirão Pegou sua viola e sumiu na escuridão Foi pra uma tapera, bem longe de tudo Com duas cabras, tentando ficar mudo. Mas o tempo passa e Firmino não perdoa Quem cospe no prato e foge da coroa Ele não viu só o medo, ele viu foi o reflexo Do monstro impiedoso que Firmino o fez virar A gota de culpa desceu sem nenhum nexo E o peso do revólver a sua mão fez afundar Numa cidade pequena tentando se esconder Pra enterrar o seu passado e o próprio cansaço Mas Firmino jurou que faria a terra tremer E a caçada começava pra cobrar o seu pedaço... O vento parou, a poeira flutuou O jagunço cansado, a espingarda engatilhou. Explodiu fumaça, grito e desespero O sangue quente lavou o pó do terreiro E a cada tiro que rasgava a solidão Um pedaço do passado caía no chão Até que o silêncio voltou a imperar Os três fugiram, sem poder alcançar. Subiu no cavalo sem olhar pra trás Sabendo que o mundo não lhe traria paz E que a vida que ele tanto quis largar Nunca ia deixar de lhe procurar. E quem cruza o sertão de madrugada Diz que ouve um dedilhado na estrada De um homem que quis ser outro sem saber Que tem vida que a gente não pode escolher... Mal sabia ele que Firmino, Marcado por um cruel destino, Jamais aceitaria aquele sumiço, Fez da vingança o seu compromisso, Iniciando a caçada que, sem temer, Faria anos depois o chão voltar a tremer.

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