A Raposa E O Lenhador (Unplugged)
Composição: Walber Costa.Título: A Raposa e o Lenhador (Versão Acústica)
Seis da manhã, o aço encontrava a madeira
O suor no rosto, a vida inteira na lida
Em casa um tesouro, um berço a embalar
E uma raposa mansa, o menino a guardar
Eram mais que estranhos, uma estranha lealdade
Um laço invisível, uma amizade de verdade.
Mas pela vila, a voz do povo a ecoar
"O bicho é selvagem, não dá pra confiar!"
"A fome desperta o instinto animal,
Abra os olhos, lenhador, isso termina mal!"
Ele ria baixo, "Isso é pura bobagem"
Mas o veneno da dúvida manchou sua imagem.
A voz de fora tenta destruir o que é nosso
Semeia o medo no terreno mais rochoso
Se você confia, não deixe o mundo te virar
Quem ouve o barulho de fora, esquece de amar.
Um dia o cansaço cobrou o seu preço
A mente exausta, beirando o avesso
Voltou pro seu lar, no silêncio cortante
A raposa na porta, num olhar ofegante
Mas a boca manchada, um vermelho tão vivo
O sangue no pelo... o pavor instintivo.
O lenhador não pensou, nem o ar ele usou
A cegueira do medo, o machado levantou
O golpe foi cego, a amiga caiu
A promessa quebrou... a razão se partiu.
Correu para o quarto, o peito a rasgar
O filho dormindo, tão calmo a sonhar...
Mas logo ali perto, o perigo final:
Uma serpente abatida, o fim do mal.
A raposa lutou, a raposa salvou...
E o homem chorou, pelo que não enxergou.
A voz de fora conseguiu destruir o que é nosso
Semeou o medo no terreno mais rochoso
Traiu a intuição, deixou o mundo virar
Tomou a decisão... e agora é só lamentar.
Enterrou o machado... junto com a amiga...
Debaixo da terra, a culpa castiga.
Siga o seu caminho, não mude a direção
Não deixe que o outro escreva a sua canção...
Não haja com a pressa de uma falsa razão...
Nunca perca a bússola do seu coração.

