Caboclo Bernardo
Composição: Walber Costa.Na foz do Rio Doce
Onde o mar rugia sem perdão
Havia um homem simples
De mãos marcadas pelo chão
Pescador de olhar profundo
Filho da chuva e do luar
Conhecia cada corrente
Cada segredo daquele mar
O povo dizia em silêncio:
“Bernardo nasceu pra enfrentar
As águas bravas da tormenta
Que fazem homens se ajoelhar...”
Veio a noite de setembro
Com trovões cortando o céu
O vento rasgava as velas
E o medo cobriu o mar cruel
O Imperial Marinheiro
Ferido na escuridão
Se partiu contra as areias
Em desespero e confusão
Os gritos vinham das ondas
Misturados com oração
Centenas presos na morte
Sem enxergar salvação
Entrou no mar sem olhar pra trás
Desafiando a tempestade
Pra salvar vidas que não conhecia jamais
O oceano tentou lhe derrubar
Mas existe força maior
No coração de quem nasceu pra salvar
A praia inteira em silêncio
Vendo o impossível acontecer
Enquanto as ondas gigantes
Tentavam fazê-lo morrer
Amarrou a corda no corpo
E enfrentou o mar feroz
Cada onda era uma batalha
Cada braçada uma voz
“Se eles morrerem...
Eu morro tentando também!”
Na quarta vez venceu a corrente
Alcançou o navio partido
Ferido, cansado, sangrando
Mas nunca vencido
O homem virou imensidão
Contra a fúria das águas
Carregava coragem nas mãos
Centenas voltaram a viver
Enquanto o mar gritava morte
Ele escolheu permanecer
Cento e vinte e oito almas
Voltaram pra terra firme outra vez
E o povo chorava na areia
Sem acreditar no que Deus fez
A princesa lhe deu medalhas
O Brasil cantou seu valor
Mas Bernardo voltou pra casa
Pra viver da pesca e do suor
Porque heróis de verdade
Não vivem buscando glória ou poder
Vivem pra salvar os outros
Mesmo sem ninguém perceber
Hoje os tambores ecoam
Em Regência ao anoitecer
Cantando sobre o homem simples
Que ensinou o que é viver
Teu nome o tempo não levou
Enquanto existir tempestade
O povo lembrará teu amor
Guardião do litoral
O homem que enfrentou o oceano
E venceu a força do mal...

