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Walber Costa

Walber Costa

EstiloPop Rock
Cidade/EstadoColatina / ES
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Lenda De Pólvora E Poeira

Composição: Walber Costa.
Título: Lenda de Pólvora e Poeira [Intro – violão dedilhado, lento] No sertão onde o vento assovia E a poeira dança no chão Começa a história esquecida De um homem sem redenção [Verso 1] Bento vivia sozinho Numa tapera caída Com duas cabras magras E uma viola sofrida Quase não falava com gente Nem gostava de recordar Mas no fundo do olhar cansado Tinha coisa pra contar Diziam que foi jagunço Daqueles de mão pesada Que resolvia na bala Qualquer dívida cobrada Mas um dia largou tudo Sumiu sem deixar rastro Tentando enterrar o passado Debaixo do próprio cansaço [Verso 2] O sol mal tinha nascido Quando o chão começou a tremer Três cavaleiros na estrada Sem pressa de aparecer Chapéu cobrindo o rosto Arma cruzada no peito E na frente vinha Firmino Com seu olhar de despeito Desceu do cavalo rindo Como quem já decidiu Que o destino de Bento Ali mesmo se cumpriu Falou com voz arrastada Sem espaço pra discussão "Ocê sumiu, mas não se esconde De quem manda nesse chão" [Verso 3] Bento cuspiu no terreiro E respondeu sem tremer "Eu larguei aquela vida Não volto a viver assim mais não, pode crer" Firmino deu uma risada Daquelas que gelam o ar "Mas a vida que ocê largou Não deixou de te procurar" O vento ficou parado Nem folha quis balançar E o silêncio entre os dois Parecia gritar [Verso 4] O tiro veio primeiro Rasgando o som do lugar A mesa virou escudo E Bento correu pra pegar A velha espingarda guardada Encostada na solidão Que ele jurou nunca mais usar Mas conhecia de cor na mão Explodiu poeira e grito Cavalo correndo sem rumo E o sertão virou batalha Coberto de fogo e fumo Cada disparo lembrava Tudo que ele quis esquecer E a cada homem que caía Mais difícil era viver [Verso 5] Quando o barulho cessou Só o vento voltou a falar Os três estavam caídos Sem força pra levantar Firmino ainda respirava Com o orgulho no fim Olhou pra Bento cansado E falou quase assim: "Ocê podia ter voltado Nada disso acontecia..." Bento abaixou devagar E disse sem alegria: "Ocê podia ter deixado Eu seguir minha vida vazia" [Verso 6] Enterrou cada corpo Com a própria mão no chão Sem reza, sem despedida Só poeira e solidão Pegou a viola nas costas E o resto que ainda tinha Subiu no cavalo calado E seguiu outra linha Sabia que o mundo é pequeno Pra quem já viveu assim E que o passado não morre Só espera o próximo fim [Outro – violão suave, final aberto] E até hoje dizem no vento Quando a noite é mais fria Que se escuta uma viola triste Chorando aquela agonia De um homem que quis ser outro Mas nunca deixou de ser Só mais um perdido no sertão Sem ter pra onde correr…

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