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Walber Costa

Walber Costa

EstiloRock
Cidade/EstadoColatina / ES
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O Barco De Teseu

Composição: Walber Costa.
Título: O Barco de Teseu Na doca de madeira antiga, o tempo faz morada Uma quilha que sustenta a esperança atravessada Tábua por tábua, o desgaste se torna o padrão Substituo o cansaço por uma nova construção Não resta a fibra bruta que cruzou o mar primeiro Mas o casco ainda mantém o mesmo roteiro. Se a estrutura se renova enquanto a água passa O que sustenta a essência nesta fina carcaça? Se a memória é o que conta, o material é só o meio Eu navego na ideia, mesmo que o ser esteja cheio De peças que não conheço, mas que assumem o lugar De quem um dia prometeu, mas não soube ficar. É o mesmo objeto ou apenas o nome que resta? A forma que observo, a dúvida que me testa Se o velho se junta e o novo se afirma no cais O que define o que somos quando o tempo se desfaz? Não é a matéria que guarda o segredo da cor É a atribuição de quem olha, com fé ou com dor. Ele diria que o modelo reside em outro plano Que aqui embaixo somos cópias, fruto do engano O ideal flutua distante, intocável e puro Enquanto empilhamos madeira, tentando o futuro Mas alguém avisa, do alto da sua corrente Ninguém cruza o mesmo rio, a água é sempre diferente. O nome não faz o barco, o objeto não faz o nome Apenas a consciência é o que nos consome Remontar o passado é tentar capturar o vento O que importa é o agora, o exato momento Em que a peça se encaixa e o barco enfim navega Na certeza do que vemos, na pergunta que cega. Ainda sou o que fui, ou o que agora se apresenta? O barco segue a rota, enquanto a maré se sustenta. Apenas a ideia. Apenas o nome. Apenas a travessia. A identidade não é apenas uma propriedade intrínseca dos materiais que compõem o barco, mas também de como nós, como observadores ou usuários, atribuímos significado e continuidade a ele.

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