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Walber Costa

Walber Costa

EstiloRock
Cidade/EstadoColatina / ES
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O Chamado Da Madeira (A Lenda De Bento, Parte Final)

Composição: Walber Costa.
Título: O Chamado da Madeira (A Lenda de Bento, Parte Final) Os anos secaram a terra e o tempo roeu o altar A igrejinha de adobe pro mato voltou a deitar Mas a lenda de Bento corria na boca de quem não tem lar E um jovem fugindo da morte resolveu por ali se ocultar Trazia o medo no rosto e o sangue nas mãos de matar Tinha feito o que não devia, não tinha pra onde voltar No escuro pisou na madeira, um som fez a poeira subir A velha viola de Bento tava lá pra quem quisesse ouvir A corda estourada pendia como um enforcado no breu O moço ajeitou no capricho e um acorde menor ele deu No mesmo instante o ar esfriou, a fogueira apagou de vez E a sombra de um homem de luto na frente do moço se fez Não tinha arma na cinta, não tinha ódio no olhar Só o cansaço do mundo que um homem não pode curar "Ocê tocou na madeira que guarda a dor do sertão" Falou a sombra de Bento, com a voz que rasgava o chão "Quem pega nessa viola, herda o que eu não paguei Herda as almas penadas e as vidas que eu mesmo tirei Mas ocê tem uma escolha que eu demorei pra entender Se puxar o gatilho hoje, amanhã é ocê que vai morrer!" O moço tremeu no escuro, o sangue ferveu na razão Lá fora os cascos batiam, a cobrança chegava no chão Os homens de quem ele fugia cercaram a porta com arcabuz E o moço olhou para Bento banhado num feixe de luz Ele jogou a garrucha longe, pegou a viola na mão E bateu nas cordas com força, acordando o próprio trovão! Não era som de música, era o grito de quem já sofreu O chão da capela rachou e o teto de barro cedeu! O moço escolheu a viola e quebrou o ciclo fatal! Quando a manhã clareou, a sombra de Bento sorriu Tirou o chapéu em silêncio e no meio da brisa sumiu... A lenda mudou de dono... Pra nunca mais ninguém sangrar.

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