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Walber Costa

Walber Costa

EstiloPop Rock
Cidade/EstadoColatina / ES
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Zé Rufino E O Fim Do Cangaço

Composição: Walber Costa.
Título: Zé Rufino e o Fim do Cangaço No meio seco do mundo esquecido Onde o sol rasga o chão sem perdão Um menino tocava sanfona Sem saber do peso da mão Era festa, era riso e poeira Era vida simples demais Mas o destino não pede licença Quando resolve chegar Foi na beira de uma estrada Que cruzou com o capitão Lampião de olhar de brasa E promessa de escuridão “Venha comigo, sanfoneiro Seu talento vai prosperar” Mas Zé Rufino, sem medo Respondeu: “Não vou entrar” Lampião não aceitava Ser negado assim tão fácil Fez de novo o mesmo convite Num silêncio quase frágil Uma vez… depois outra E a terceira pra selar Cada “não” era sentença Que podia o fim chamar Zé Rufino disse não Mesmo olhando a morte em pé Recusou o rei do sertão Sem tremer, sem perder a fé E naquele mesmo instante Sem ninguém poder prever O destino do sanfoneiro Começou a se inverter Sem ter como se esconder Sem ter rota pra fugir Entendeu que no sertão Só um lado é pra existir Vestiu farda, virou caça Do que antes evitou O menino da sanfona Pela guerra se marcou Do outro lado da história Um relâmpago surgiu Cabelos soltos ao vento Era Corisco que partiu Braço forte de Lampião Fiel feito tempestade Carregava no olhar Raiva, dor e lealdade Depois da queda do chefe Não restou mais direção Mas Corisco não se rende Mesmo em desolação Era fogo contra fogo Era sangue contra lei De um lado o cangaço vivo Do outro, quem virou rei Zé Rufino perseguia Sem descanso, sem parar E Corisco respondia Sem pensar em se entregar O sertão ficou pequeno Pra dois nomes tão fatais Cada rastro era seguido Cada passo, sinais Não era só vingança Nem só ordem ou dever Era o peso da história Que ninguém podia deter E num dia sem aviso Veio o fim pra se escrever O encontro inevitável Que ninguém quis esquecer Corisco ainda lutava Mesmo vendo o fim chegar Entre tiros e poeira Se negava a se dobrar Zé Rufino não parou Até ver tudo acabar O cangaço que marcou Finalmente foi calar Mas não foi só vitória Nem motivo pra cantar Foi o fim de uma história Que fez o sertão sangrar O sanfoneiro que um dia Só queria tocar Virou nome na memória Difícil de julgar Nem herói, nem só vilão Só um homem do sertão Que entre o certo e o errado Escolheu direção E no eco dessa terra Ainda dá pra escutar Os acordes de um passado Que insiste em não calar Zé Rufino… Corisco… Lampião… Três destinos num só chão E a história que ficou Foi escrita em sangue e chão

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