Jeito Manso
Composição: Egberto Dant... Ver tudoEu tenho ciúme do vento
Que um dia passou por você
Das ruas, dos olhos, das horas
Que eu nunca pude viver.
Tenho ciúme da chuva
Que desceu no teu quintal,
Das lembranças que te abraçam
Quando eu não posso chegar.
E eu queria te amar de um jeito manso,
Sem fazer do coração um temporal.
Mas teu silêncio acende em mim um fogo antigo,
Que transforma toda paz em vendaval.
Quanto mais tento viver sem esse medo,
Mais descubro que não sei me defender.
Porque a saudade inventa mil fantasmas,
Só pra eu sentir você.
Não invejo quem te teve,
Invejo o tempo que passou.
Cada segundo da tua história
Que comigo não ficou.
E essa falta me atravessa
Como espinho em flor de abril,
Faz da ternura uma tormenta,
Do carinho, um arrepio.
Se amar fosse só calmaria,
Eu talvez nem aprendesse a navegar.
Foi na dor que descobri
Que até o ciúme, às vezes,
É um jeito torto de ficar.
E eu queria te amar de um jeito manso,
Mas meu peito não conhece esse lugar.
Quando a ausência bate forte na janela,
É teu nome que me ensina a respirar.
Se um dia esse vendaval virar descanso,
Quero só tua mão pra segurar.
Porque depois de toda essa tempestade,
É no teu abraço que eu quero ancorar.

