Afoxé Oxum Pandá

EstiloRegional
Cidade/EstadoRecife / PE
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Comunidade

OuvintesLarissa Nascimento e outros 11 ouvintes
Fã-clubeJader Frauches e outros 6 fãs

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O Afoxé Oxum Pandá
Os Afoxés são manifestações artístico-religiosas que constituem em mais uma forma de expressão, militância, legitimidade, afirmação e resistência da identidade cultural das comunidades negras em Pernambuco na luta pela inserção política e contra o racismo - próprio significado da palavra Afoxé traz uma diversidade de sentidos, experiências e implicações político-culturais – sensibilizando a população afrodescendente local através das música, estética e religiosidade que denunciam os preconceitos e as desigualdades sociais, trazendo a cultura como ferramenta de politização e possibilitando a transformação das comunidades.
O Afoxé Oxum Pandá é um dos mais antigos Afoxés de Pernambuco, foi fundado em Janeiro de 1995 por um grupo de amigos que já tinham integrado outros grupos de Afoxé; é considerado um dos precursores dos movimentos políticos emergidos entre as décadas de 80 e 90 na cena cultural Recifense e Olindense que lutou pela afirmação e visibilidade da cultura negra nas comunidades.
A entidade Cultural, uma das fundadoras e atuantes da União de Afoxés de Pernambuco (UAPE) – organização que congrega grande parte de Afoxés do Estado - foi criada dentro da realidade religiosa uma vez que sendo o Afoxé considerado como o Candomblé na rua, elementos artísticos e litúrgicos são incorporados através da prática cultural de viés religioso e cunho político, fazendo a comunicação com o sagrado por meio da expressividade de sentimentos, ideais e valores. A sede do Oxum Pandá está localizada no Centro Espírita Rainha Iemanjá (fundado em 1954) pela mãe de Santo do presidente do Afoxé e babalorixá da casa senhor Genivaldo Barbosa, no bairro do Barro, Recife – Pernambuco próxima a Estação de Metrô do Barro.
“O Afoxé é homenagem a minha mãe de santo, que era negra, viúva e pobre e foi guerreira, nos tempos de preconceito lutou contra a discriminação e botou um terreiro no momento em que as coisas eram difíceis para a comunidade afro. Tenho muito orgulho de ter sido filho dela e dedico todo o meu trabalho a esta sacerdote... Nos tempos de preconceito, nos tempos que iria até para a polícia, se você quisesse bater/tocar até tarde você tinha que ir na delegacia. Eu mesmo quando tinha quatorze anos fui com ela. Ela chegava lá, ficava esperando para pagar a taxa ao delegado e botar no carro para poder fazer. Porque se não invadia a sua casa/centro e levava tudo.” (Genivaldo Barbosa, em entrevista dada ao documentário do Afoxé Oxum Pandá, realizado por estudantes da UNINASSAU, em 2014, Barro, Recife – PE)

Como comentado anteriormente, todo Afoxé possui com compromisso religioso e faz suas devidas obrigações em torno do ano. A religião que rege os Afoxés de Pernambuco é o Candomblé – herança religiosa trazida pelos povos africanos escravizados no período colonial pelos europeus - nele, se cultua os Orixás que, são divindades e possuem suas representatividades e significados ligados aos elementos (mares, montanhas, florestas, rios...) do mundo natural.
Sobre o significado de “Oxum Pandá” pode-se dizer que “Oxum” é um Orixá feminino da fertilidade, divindade que reina sobre a água doce dos rios, do amor, da beleza e da riqueza. Seu nome é o mesmo do rio que corre na cidade de Osogbo (Oshogbo) na Nigéria. Ela é considerada a senhora do metal mais precioso, sendo aqui no Brasil o Ouro e na África o cobre. Sua cor é o amarelo e o arquétipo que caracteriza os filhos deste orixá é o das mulheres graciosas e elegantes, com paixão pelas joias, perfumes e belas vestimentas; que são símbolos do charme da beleza, voluptuosas e sensuais, contudo, mais reservadas uma vez evitam chocar a opinião pública à qual dão grande importância. No que se concerne à “Pandá” ou Ypondá refere-se à qualidade desse Orixá, característica de uma Oxum jovem, guerreira, que tem uma certa ligação com Oxossi (Orixá das caçador, das matas). Todo Orixá possui uma saudação e a de Oxum, de acordo com o livro Orixás de Pierre Verger é “ Ore Yèyé o!!!”.
O Afoxé Oxum Pandá já gravou dois álbuns, o último se chama “Brilho do Sol”. A Entidade Cultural faz shows durante o ano inteiro, sendo mais intenso nos períodos carnavalescos, suas músicas exaltam a cultura e a percussividade negra, entoam questões políticas que denunciam os preconceitos, as desigualdades sociais e fazem comunicação com o sagrado através da expressão de sentimentos, ideais e valores.
Além musicalidade, também pode-se destacar o Balé do Afoxé que desenvolve os movimentos conforme o respeito as divindades da natureza, buscando representar o perfil, os valores de cada orixá, a força, a beleza, a ancestralidade, vaidade, realeza, feminilidade, masculinidade, etc. Contudo, por ser um Afoxé de Oxum Pandá, boa parte da coreografia busca denotar os banhos no rio, nas cachoeiras, a caça da qualidade Ypondá e a bravura desse orixá.
Texto: Samuel Calado, Assessoria de Imprensa do Afoxé Oxum Pandá

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