Colisão Social

EstiloPunk Rock
Cidade/EstadoSão Paulo / SP
Plays1.320plays

Comunidade

OuvintesFabiano Rosal da Jack e outros 6 ouvintes
Fã-clubePRODUTOR HENRIQUE LUAN DUPLICAÇÃO DE CD e outros 10 fãs

Comentários

Filtrar Por:
Escreva um comentário
Imagem de TheoTheoVoz
Imagem de EduardoEduardoGuitarra
Imagem de BrunoBrunoBaixo
Ver mais integrantes

Release

HISTÓRICO COLISÃO SOCIAL


Os anos 1990 foram marcados pelo aprofundamento de mudanças sociais, políticas, econômicas e culturais gerando o fenômeno conhecido como globalização. O mundo presenciou formidáveis transformações cientifico tecnológicas que modificaram o modo de produção, a economia dos paises e a vida das pessoas. Assim, nossa época é marcada pela informática invadindo todos os setores da humanidade, do super desenvolvimento de algumas nações, da sociedade de consumo e do poder de grandes empresas transnacionais que ditam suas regras para o mundo sob a proteção bélica do império americano.
O Brasil vivia neste inicio dos anos 1990, um período de euforia decorrente das primeiras eleições diretas para presidente após duas décadas de ditadura militar. Diziam que com o restabelecimento da democracia o país finalmente avançaria rumo a modernidade. Como sabemos, não foi bem assim, e a historia nos mostrou mais uma vez que as elites brasileiras pouco se importam com o bem estar de seu povo. De privatizações escandalosas, passando por corrupções de toda sorte, o Brasil se moderniza apenas para a minoria rica. Ao povo, restam os velhos problemas de sempre: violência, serviços públicos precários, desemprego, etc.
O no future cantado pelos velhos punks em 77 parece ecoar justamente nesta década em que o futuro chega. No campo cultural, a música feita pela indústria é embalada sob medida para a juventude dourada se esbaldar em raves, e clubes techno. O jornalismo cultural moderno decreta mais uma vez o fim do rock e a explosão do ‘rock alternativo’ é facilmente cooptada pela indústria.
Neste cenário, muitos jovens, principalmente aqueles que habitavam quartos sombrios em cortiços baratos e porões da cidade, ou nas apertadas e sufocantes casas amontoadas pela cinzenta periferia de SP, não se sentiam representados pela tal modernidade e por sua cultura comercial e excludente. Pois, se para a juventude da alta classe média o capitalismo era uma festa, as classes proletárias e miseráveis só conheciam a brutalidade mesquinha deste sistema. No entanto, uma parte dessa juventude buscava resistir à opressão, utilizando a cultura como ferramenta de resistência. Uma juventude desempregada, pobre, inquieta e sem futuro resolve buscar inspiração no movimento cultural punk do final dos 70 e início dos 80. Os acordes primais e nervosos da primeira geração do punk rock paulistano emanados de bandas como Restos de Nada, Inocentes, D.Z.K., além de discos seminais como Grito Suburbano e SUB, serviram de inspiração para toda uma nova movimentação punk pelos subúrbios paulistanos dos anos 90.
A banda Colisão Social surge nesta época, participa desta nova rebelião punk que procurou unir o punk rock de rua com militância política, e encontra neste modo de vida uma saída para o ambiente opressivo da periferia paulistana. Moradores de Cidade Tiradentes, região localizada nos extremos da zona leste, marcada pela ausência do poder público em áreas básicas para a população como saúde, transporte, educação, lazer e cultura. Seus membros desde sempre encararam a banda como um núcleo de resistência cultural e política a um ambiente opressor e violento.
Os primeiros ensaios desta rebelião aconteceram em garagens suburbanas numa atmosfera de entusiasmo juvenil e ardente movimentação. A garagem era, para além de local de ensaio, um espaço mágico onde garotos rudes descobriam o sentimento de camaradagem e compartilhavam experiências culturais sobre filmes, musicas, livros, amores e frustrações adolescentes, idéias revolucionarias, organização de manifestos, produção de fanzines e planejavam rolês noturnos, sempre acompanhados do bom e velho vinho.
Assim, foi neste ambiente, que foram surgindo as primeiras letras e bases, inspiradas principalmente pelo tenso modo de vida urbano de nossa época, onde o cenário é composto pelas ruas, antros e botecos da metrópole, habitada pelas camadas sociais mais pobres formada por boêmios solitários, despejados da urbe, militantes revolucionários, artistas subterrâneos, proletários de todo tipo. Tentam apesar de tudo, manter a resistência, o espírito comunitário e confraternizacionista em sua música suja e primitiva mostrando que sem a participacao política dos explorados dificilmente o sistema ruirá.
Este disco,fecha um ciclo na trajetória da banda e foi lançado após este tempo justamente por conta das inúmeras dificuldades materiais que encaramos desde o inicio da banda e deve, portanto ser ouvido como um registro histórico de coisas que na adolescência haviam necessidades de serem postas para fora, mas que mesmo algum tempo depois ainda soam atuais e verdadeiras. Sabem por que? Porque, nada mudou devido a ignorância individualista deste sistema injusto e se nada mudou, significa que o ideal iconformista do punk rock ainda esta vivo!

“Temos a arte para que a verdade não nos destrua”.
NIETZSCHE

“A arte é uma ilusão, mundo sem arte é um lugar de desespero; pois uma visão real nos levaria ao suicídio. Daí a razão definitiva de nossa gratidão a arte. O artista transfigura o mundo dota - o de beleza tornando possível de ser vivido. A arte é a bênção e a destificação da existência”. NIETZSCHE






Playlists relacionadas

Contrate