JOARÃO ARAÚJO

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JOARÃO ARAÚJO, começou a carreira musical no ano de 1999. profissionalizou como cantor e compositor em 2004, quando gravou no estado de Goiás, pela Gravadora Sonata o Alguns Amor por ela. Na mesma Gravadora, o artista gravou outro single, Sozinho estou, todas de sua autoria.Comemorou em 15 de março de 2016 treze anos (13) de carreira. Conta que faz quando saiu de sua terra, Pedra Branca do Amapari-Ap na mesma data, no ano de 2003, rumo a São Paulo.
Joarão Araújo, dedica nesse ano em gravar mais uma obra, e lança de ante mão, no PALCO MP3, algumas composições pra que possa ser analisadas pelos fãs e artistas que queiram gravá-las.

NESTE ESPAÇO, QUERO CONTAR E CANTAR MINHA MEU SONHO PRA VOCÊS, QUE É UMA HISTÓRIA ESPECIAL.

Data: 01/05/2016

JOARÃO ARAÚJO

MEU SONHO É UMA HISTÓRIA QUE CONTO E CANTO.

Escrito por:
JOARÃO ARAÚJO
JOARÃO ARAÚJO

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MEU SONHO É UMA HISTÓRIA QUE CONTO E CANTO.

Aos fãs e admiradores

Prezados fãs e admiradores da minha carreira musical,com grade satisfação que escrevo minha história em poucas linhas que se iniciou cedo, mas que tem uma trajetória oficial desde o dia 15 de março de 2003. Neste ano de 2016, entre tanto, estou comemorando, treze (13) anos de muita luta, traduzidos em minhas composições e interpretações, da nossa música sertaneja, lógico, sob admirações das minhas referências, a qual sempre me espelhei.
Meus caros, por acreditar contar a minha história, que é muito humilde e de muita luta, onde se confunde a tantas outras, de brasileiros que estão espalhados por esse Brasil, e que buscam seus espaços, tentando alcançar a realização de seus sonhos, que parece ser impossível, certamente não serei o único, mas que tenho uma grande história que possa inspirar muitos à nunca desistir dos seus sonhos, seja qual forem. E aqui quero contar e cantar meu sonho, que é uma GRANDE HISTÓRIA
Nasci numa família cristã evangélica, e por isso, tive que superar muitos obstáculos até chegar esse momento. Nasci em 1980, no dia 02 de novembro, tenho uma família muito conservadora evangélica, onde acredita que devemos seguir os princípios do cristianismo, que a qual segue se ampliando a nossa fé.
Mas não quero aqui relatar essa parte que é particular da minha origem familiar e sim, relatar apenas como começou a minha busca por melhorias e sonhar que a música pudesse ser o guia à me levar em lugares desconhecidos.
Tudo começou na música em 1997, quando estava cursando o ensino médio na minha cidade Pedra Branca do Amapari, no estado do Amapá. Eu era um jovem muito articulado e vibrante em off, mas, quando era pra se apresentar, tinha que ter um força externa em me que apoiara e com isso, me empurrava a desenvolver coisas que não era comum na minha turma, da minha época de estudante, e assim o sonho começou.
Na época do curso, pra incentivar a cultura e o interesse, o professor de psicologia e didática, grande educador FRANCISCO, que a qual por muito tempo perdi o seu contato, desenvolveu o PROJETO INTERVALARTE, e essa iniciativa, nos intervalos do nosso curso, os alunos apresentavam suas criações e invenções em todos os aspectos da arte, tanto literária, cênica e musical, intercaladas nos momentos dos nossos intervalos dos nossos cursos.
Nesses momentos, me recordo de um dia, pela manhã, estávamos chegando à escola, fui abordado por um amigo que me encorajou em apresentar uma música, e que naquele momento retruquei, por achar que pagaria “um mico” na presença de todos, cantando uma música. Não! Disse a ele, não vou encarar isso. Mas, eu não sei como ele conseguiu me encorajar naquele momento, me dando qualidades que eu nem mesmo sabia que tinha. Uma dessas foi que segundo ele, eu cantava parecido aos cantores do momento da época como, Zezé di Camargo, Leonardo e outros. Bom...! Falei a ele, “eu acho que não tenho nada a haver com o que você está dizendo, e acho que vou ser vaiado, mas, um pedido como esse, e você acha que consigo, então vou”. Apesar de tudo, na escola já tinha já cantores, do seguimento religioso, que estudavam conosco que iria julgar a minha apresentação, fazendo um juízo com críticas ou outras formas. Mas o meu amigo mesmo assim me convenceu que poderia me dar bem naquela manhã, que por sinal estava bem concorrida, inclusive com a nossa amiga cantora.
Chegamos, e pedi ao professor que iria cantar uma música, que por sinal era religiosa. Como diz o ditado que sabe faz ao vivo, e foi isso que fiz ao olhar atencioso dos professores e de todos os meus colegas, enfrentei a minha primeira apresentação musical só na capela, ate porque não sabia tocar e muito menos acharia que cantava alguma coisa. E pra minha surpresa e graças a Deus, e lógico, o incentivo do amigo Rui Valadares, esse amigo que me disse que conseguiria sair muito bem. Recebendo longas palmas de apoio e muitos elogios da parte de todos. Daí pra frente foi o começo da minha trajetória sonhadora pela música.
Vale relatar que minha vida sempre foi de muita luta por parte de mim, sempre busquei ser muito simples e honesto. Por isso que tinha livre acesso em todos os lugares de minha comunidade, Água Fria, sendo muito amigo de todos, pelo menos eu me sentia ser assim. Por esse comportamento que adquirir na minha criação, que foi a base do que eu poderia ser nos anos seguintes.
Sob minha criação, tenho que dizer que apesar de tudo, tive o apoio da minha Mãe, dona Maria do Rosário na minha vida por completo. Recordo que, por ser o filho mais velho, sempre o acompanhava nas atividades da roça e dos afazeres de casa. Os filhos ficavam disponíveis pra ajudar nas tarefas do mato e da roça e as filhas, nas tarefas de casa. Ao logo da semana, meus pais decidiam ir pra o terreno, como a gente chama por aqui, e passar a semana inteira trabalhando. Nossa atividade era plantar, e capinar nossos terrenos, para ajudar de alguma forma na despesa de casa. Meu pai estava numa crise e com isso, todos os esforços foram criados para que pudéssemos sair daquela situação avassaladora. Nas atividades cotidianas, quando estava perto da minha mãe, eu e ela conversávamos da minha vontade e do meu sonho. A princípio, o que eu dizia a ela, era uma vontade de gravar fitas cassetes, em parceria com o amigo professor DADA, que por sinal tinha teclado e som, e tinha parceria com o melhor músico da região, o Jair. Falando a ela, pediria que fizesse os arranjos das minhas músicas, e gravando, seria a forma de começar a ganhar uns trocados e quem sabe, dai partir para uma melhor produção, ela me ouvia e me aconselhava.
Quero deixar registrado também, que minha mãe, mesmo do seu jeito, nunca deixou de me apoiar, dando uma esperança que qualquer decisão minha, mesmo que se fosse ao extremo, ela estaria pronta, orando a Deus pra que ocorra tudo bem no meu caminho. Minha mãe é religiosa, como já relatei, mas nunca me recriminou por ter tendência de não seguir o seu credo religioso.
De2000 à 2001, eu fui estudar na capital. Fui cursar um curso superior em administração Pública, numa instituição que acabara de ser lançada, em parceira com uma faculdade de Rio de Janeiro. Bom, e assim eu fui um rapaz com muito medo e com restrições, que à qual passaria de um desconhecido, para uma nova experiência, uma nova turma. Mas, por coisa que sempre o destino nos prega, foi morar com meus primos, Joldam e Joelma. Seus pais investindo em seus estudos agora na capital. Joldam iria fazer o mesmo curso que eu, e Joelma, iria estudar o ensino médio numa escola particular, que por entender, seus pais acreditavam que seria melhor por um possível ingresso na faculdade. Mas quero me relatar ao meu primo Joldan. Ele sempre fora o oposto da minha vida financeira. Ele, apesar de conviver e viver no mesmo município, e ser da mesma família, OS GOMES, como somos tratados por aqui, tivemos um relacionamento muito distante e superficial. Quando meu pai, lembro que me disse que iria estudar na cidade e que iria morar com eles, me deu um frio na barriga, por que de certo modo eu o achava ele muito fechado e diferente da minha criação. Que der certo modo, pesei eu que não iríamos nos dar bem nesse convívio de dois anos.
Mas, apesar de tudo, não fui a desacordo ao meu pai, e com isso partir para a capital. Ao lado da casa onde morávamos, morava outra família que por sinal o senhor tinha o violão e que, e fiquei muito contente, que apesar de tudo eu não desistiria da vontade que a todo o momento crescia de ser um cantor sertanejo. Nesse momento eu já tocava alguma coisa no violão. Na verdade eu tocava bem as minhas músicas e me empolgava a compor, do meu jeito as minhas melodias. No pátio da residência dos meus primos, ao entardecer, emprestava o violão do amigo e ficava tocando algumas obras que já tinha composto, generosamente apresentara a eles, e com isso ganharia simpatizantes e fãs. Esse meus dois anos estudando em Macapá, ao lado dos meus primos foi um aprendizado e um teste a minha perseverança pela música.
Ao término do curso, achei que poderia já trabalhar e viver de administração. Certamente era o que meu pai e meus tios queriam pra mim, mas, vi que minha vida não teria sentido se não buscasse um lugar ao sol. Nesses fleches das minhas imaginações, eu me pegava sonhando acordado numa gravação de um álbum gravado as minhas simples composições que achava que era já um sucesso.
Ao longo dessa conivência com os meus primos, percebi que tinha condições sim de correr atrás pra valer do sonho. Pra uns era uma loucura, mas pra outros era possível, com alguma luta, dava pra tentar.
Terminado o curso, eu fique na cidade em 2002, um período que ficava oscilando em Macapá e Pedra branca. Trabalhei temporariamente numa empresa de distribuição de gás, um empresa de um amigo meu, e que seus pais me deram certa confiança, por ter sempre mostrado uma pessoa honesta. Fique um tempo morando na empresa, mas com a intenção de ser uma oportunidade de segui o grande sonho, e por achar que se eu retornasse pra casa, certamente minhas chances iriam ser poucas. Sim, iriam ser poucas, por isso.
Meu pai estava passando por uma crise muito grande financeira. Ele era um empresário porte micro-empresário da construção civil e que por conta de situações políticas, suas obras não foram pagas pelo gestor e, que jogara numa situação de pobreza, acho que abaixo, chegando até comer com a família legumes que plantado em nosso terreiro. Eu, realmente, vendo aquela situação, vendo meu pai se desgastar em busca de uma saída para daquela crise horrível, não tive outra escolha em tirar minha família da que situação; a saída era me aventurar de cabeça na música, por algumas reflexões. Primeiro, por que como professor de primeira a quarta série só dava pra comer, e se fizesse algumas economias, poderia conseguir algumas coisas ao longo dos anos de trabalho. Depois, ser administrador em um local que não dava oportunidade, certamente era outra investida errada. Outra, eu não via nada além da música de sucesso, o sertanejo, que desse a chance de ser mais bem sucedido e completamente realizado, dando uma oportunidade clara de melhoria pra minha gente, fora que poderia gerar outras riquezas no decorrer da carreira. Foi nesses pontos de reflexão que me segurei e busquei fazer a minha trajetória, pedindo a Deus muita sabedoria e iluminação.
Não tive outra maneira de lutar por uma causa, apesar de estar longe da minha realidade, mas estava perto de algo que queria buscar no desconhecido algo que desse sentido na minha vida, a busca de um sonho que pra muitos era uma loucura.
Em 2002, período eleitoral, a chance que conseguir um patrocinador em gravar o meu projeto era bem visível. Como minha família era também envolvida por ações políticas, até acreditava seriamente que poderia ter uma oportunidade, um disco gravado, fazendo um acordo de apoio em troca de voto. No auge na campanha, de 2002, para presidente da república e outros cargos, fui até a casa de uma irmã, fui fazer uma visita e contava a ela meu plano pra buscar meu objetivo na música. Ela então, humilde em seu modo de agir, me deu informações que tinha em Macapá, capital, uma prima, criada como se fosse uma irmã sua, e que poderia ao seu pedido me dar um apoio, vendo que ela era chefa de uma coordenação de campanha de um político, que por sinal, era muito badalado na capital.
Com a sua recomendação, voltei pra a cidade maior do Amapá e com a ajuda de Deus iluminando a mente dessa sua prima e por esse político eu fui tentar novamente a busca desse contato em que poderia ser uma realização uma grande oportunidade estaria a minha frente.
Era numa segunda sexta feira, de agosto de 2002, pela manhã em que localizei o Comitê central do político que a prima de minha irmã estava comandando. Cheguei ao escritório, muita gente estava esperando resolver os seus interesses, e fui me apresentado para a gerente, que por sinal era sobrinha da referida Coordenadora Geral. Falei quem eu era. Disse que queria falar com a prima de minha irmã, a dona Marcília Borges. A moça quis saber meu interesse, e logo disse que fui indicado pela minha Irmã Gercília Costa, que ela poderia me ouvir e, contudo, estava pronto em relatar uma intenção em troca de um projeto que estava em minha mente, por isso gostaria de ser agendado. A Jovem gerente me deu o telefone de contato da dona Marcíclia, e após o meio dia, eu poderia ligar e então acertar o encontro. No período da tarde, com expectativa em retornar a ligação, liguei para a dona Marcíclia, e pode então, marcar no Comitê. Como sempre na vida tem o seu preço, se não as conquistas não são tão bem saboreadas e comemoradas com tanta alegria.
No dia seguinte fui até o local onde foi combinado, no Comitê, e lá pude conversar por volta de uns trinta minutos com a senhora. Fim uma proposta assim: “dona Marcília, é um prazer estar com você neste momento tão especial. Como você sabe, sou filho de uma família com base política em minha cidade e o que estou aqui é pra lhe fazer uma proposta.
A proposta é o seguinte: -Certamente a senhora tem interesse de entrar em minha cidade e ganhar votos, e proponho que através de mim, posso consegui votos, através da minha articulação e em troca, a senhora me via, ou melhor me patrocina uma gravação, com minhas músicas. É meu sonho ser cantor sertanejo, e com essa oportunidade, você, vai me fazer um grande bem o que a senhora acha. Ela, muito empolgada, por entrar no meu município, não hesitou em confirmar. Logo pegou na minha mão e fechou o acordo, mas com uma ressalva, só depois da eleição que agravação sairia, enquanto isso, o seu orçamento estava estourado, impossibilitando no momento em gravar, mas que eu poderia me organizar, dando um espaço pra seu orçamento, logo com a eleição de seu candidato.
Depois dessa conversa, não fiquei mais tanto animado. Vi que tinha uma pequena chance, pois era nesse instante como apostar na loteria. Se o seu candidato ganhasse, tudo bem. Se perdesse, não tinha certeza, era o que entendi. Com isso, fiquei sem norte, mas peguei os seus contatos e por isso ficamos.
Andando pelas ruas de Macapá, seguindo a avenida principal, meu tio me encontrou. Parou o carro, e me perguntou. Que está fazendo andando por aí meu filho? Falei que estava correndo atrás do meu sonho de ser cantor. Estava com alguns contatos e acharia que, no decorrer do processo eleitoral, conseguira um patrocinador. Ele me ouviu e disse, “vamos pra casa, é um a casa simples, mas dá pra você ficar lá, pelo menos não fica sem um lugar pra se concentrar nas suas coisas mais tranqüilo”.
Ele era ex-prefeito da nossa cidade, e representante do governo estadual, da então administração. Certamente você pode ficar perguntando. Porque que o Joarão não conseguiu apoio com o seu tio, com essa influência que tinha, seria mais fácil não?
Sim, seria mais fácil, mas, minha família de um modo geral não acreditava na música, assim como eu acreditava, aponto de largar tudo e correr um grande risco. Mas, meu tio, Juarez Gomes sempre me apoiou em diversas áreas, todas nesse tempo e,, eu não aproveitei. O que cheguei mais perto foi fazer dois vestibulares em 2002, por sua custa e de minha tia, e entendo que se conseguisse o posto, certo que me bancariam na faculdade.Mas o tempo que estive com ele, ajudei do meu jeito, a cuidar de suas coisas na capital, retribuindo o apoio que me dera nos momento de grandes dificuldades quando ali cheguei.
Em 2003, agora com novo governo, no decorrer dos primeiros dias do ano, soube que uma a secretaria de estado que tinha como fomentar projetos de gravação de músicas. Essa informação conseguir de uma amiga, que ao contar minha situação sonhadora, me apresentou a seu amigo que trabalhava em outra secretaria que poderia me ajudar na construção de um projeto para que eu pudesse apresentar e ser defendido com chance de ter uma gravação bancada pelo governo. Esse amigo foi demais, elaborou o projeto e me deu pra que eu pudesse apresentar na outra secretaria, a secretaria de cultura.
Não tinha simpatia com esse governo, até porque, agora nossa família estava cercada por esse governo. Meu tio que o diga, de ex-prefeito, agora ex-representante de governo e assim respingava nos membros, mesmo sem maldade como eu.
Certa forma, com tudo acontecendo de ruim politicamente pra ele, mas não me desamparou pelo que eu estava fazendo. Respeitava minhas posições, mas sempre dava uma ideia de como eu poderia me sair bem, sem precisar correr atrás de algo que não era palpável.
Meu amigo a secretaria que a qual fizera o projeto, me disse, se eu precisasse de alguma coisa referente ao meu projeto, ele estaria lá a minha disposição. Protocolei o projeto na secretaria de cultura, muito feliz e contente por estar no caminho certo desta vez. Foi passando os dias, e em encontrei outro amigo que era do meu município. Contei a ele que tinha protocolado o projeto da secretaria de cultura, e gostaria que ele pudesse dar uma força. Como eu tinha uma cópia do projeto, deu a ele que pudesse, através número do protocolo ver como estava o andamento, e o julgamento do meu projeto. O tempo foi passando e nada. Mas eu aproveitei e soube que um programa de televisão do estado, em parceria com um estúdio, estava dando uma gravação a o artista que, ao participar do programa, e que se fosse vencedor, tinha a oportunidade de ter o seu sonho realizado, uma gravação de um álbum com 12 faixas, cairia como uma luva, e reduziria bastante estrada pra mim.
Fui até escritório do programa, que se chamava OLÍMPIO GUARANY, com uma fita, a única fita que tinha gravado, com seis faixas que eu mostrava aos possíveis investidores e fãs. Essa gravação foi feita pelo amigo de minha cidade, o professor Darilton. Essa parte me toca muito, porque mostra o começo da minha peregrinação pela música. O Dadá, como nós o chamamos, foi o cara que me deu uma grande força, e quem sabe a maior força, em acreditar nas minhas escolhas pela música. Falo isso no sentido de, como muitas falhas técnicas, tentar produzir um material com minhas músicas, pra que eu pudesse vender em fitas, e eu acreditava que daria certo. Mas, como eu sempre estava a procura de algo mais impactante, tive a sorte de ter apenas seis composições gravadas, ao estilo voz e teclado, mas com uma qualidade audível, que dava para se aventurar em apresentar por ai. E foi essa gravação que deixei no escritório, com o sonho que eles iriam me chamar pra que eu pudesse me apresentar. Esperei, esperei..., e ate que fui lá pra ver o que tinha acontecido. A assistente só disse que não tinha mais espaço e que não dava mais pra concorrer. Bom, então, como sempre fiquei na busca.
De repente, no mês de fevereiro, o governo do município lançou um projeto, com premiação em valores, com também a gravação em um estúdio de qualidade da cidade, um álbum ao artista que composse uma música, que fosse referente a proposta do projeto, que intitulava, VIVA MACAPÁ. Isso aconteceu por acaso. Foi numa manhã que soube, e na tarde estava com a música composta. No dia seguinte fui ao estúdio e fiz a gravação. Minha primeira gravação em um estúdio, com produtor, que por sinal, com ironia do destino, era o mesmo que produziu o álbum do vencedor do programa de televisão que não me deu a chance de me apresentar. Em suas colocações no estúdio, ele até fez um elogio dizendo que eu tinha o choro do LEONARDO. Não entendi o que ele estava dizendo naquele momento, mas agora tenho na mente e no coração gravado suas palavras. Bom, não ganhei, e tão pouco foi além no projeto que ganhei foi essa boa gravação que, pela primeira vez achei que tinha realmente jeito pra coisa.
O tempo foi passando, e meus projetos nada de se realizar. Eu estava com 22 anos, minha família me pressionado, e tudo que fazia no Amapá, sob música não andava. Eu tinha apoio moral daqui, outro dali, mas não se transformava em realidade. Foi ai que decidi, agora de forma radical sair do Amapá, rumo a São Paulo, e tentar a sorte nos programas de televisão da época que davam oportunidade pra artista tipo calouros. Foi a forma que achei, para de vez sair dessa melancolia que não andava.
Tudo bem, pensei, “agora resolvi ir embora pra São Paulo, e como é que vou, se a cidade mais longe que andei foi Macapá, Pedra Branca, e Macapá?” Essas perguntas sem respostas pairavam sob mina cabeça, e o medo era constante. Mas, com a forca de amigos, que acreditavam em meu talento, era que me apoiava, sabendo que a estrada era longa e muita obscura.
Então, decidi, vou pra São Paulo, porque aqui só rola brega e acho que é por isso que não consigo. Isso e muitos outros pontos controvertidos me deixavam amimados e ao mesmo tempo sem saber como começar.
Então, certo dia, acho, que era na primeira semana de março, sozinho na casa do meu tio, fiz uma rota de jornada. Minha menta era chegar a São Paulo. Poderia custar alguns meses, mas iria chegar lá. Contei a minha ideia pra algumas pessoas, mas poucas me deram força, até mesmo as de casa. Teve uma que o cara me disse: - Joarão, como é que tu vais embora, se não conhece nem ao menos o teu estado, nem o teu município pelo menos. Se tu íris, tu não chegas a Belém, chegando lá, teu pai vai te pegar no porto morto, onde só restará teu cadáver que ele buscará no porto. Ouvi aquela declaração com repudio e disse: - Agora é que eu vou e vou mostrar pra todos que tenho capacidade, se Deus quiser ele fará, mas se não, vou provar que tenho capacidade e ó quero que ele coloque pessoas boas no meu caminho e me ilumine. Mas que eu vou, certamente, estou convencido, partirei daqui o mais rápido que puder.
No outro dia, depois de refletir muito bem no que eu ia fazer, fiz minha programação de capitalização de recurso. Fui até na secretaria do amigo que fez o meu projeto e pedi apoio a ele. Falei do meu plano de ir embora e ele me disso: vou ti ajudar, mas vamos fazer uma dobradinha. Vou agendar uma viagem de navio até Belém e quando eles fizerem uma entrevista com você, fale que vai ver um parente doente. Na sexta, você vez retirar sua passagem, e boa sorte. Com muita alegria sai do seu escritório e fiquei pela cidade buscando outras maneiras de consegui fundos. Mas, como sempre é comum em mim, os de casa não me ajudaram no sonho, e sim, sempre busquei nas pessoas de fora e em mim mesmo.
Chegando à sexta, 14 de março, eu fui até a secretaria buscar minha passagem e fui decidido também empenhorar o meu “anel de formatura”, na época. Fui até a Caixa Econômica, mas a burocracia era grande, e não queira perder tempo. Até que entrando em uma loja de ouro, ofereci a joia ao dono que quis comprar como sucata. O cidadão me deu 96,00, esse era o dinheiro que tinha pra viajar, que já estava agendada para o sábado 15 de março, que era o dia seguinte.
Com posse do dinheiro e a passagem, atravessei a cidade da zona sul pra zona norte, e nesse trajeto encontrei um amigo, que me vendo andando pela cidade, por volta das seis da tarde me abordou. Ele era um vigilante do órgão do governo, e me perguntou o que estava fazendo por aquelas bandas. Eu lhe disse que estava de viagem rumo a São Paulo, pra tentar a sorte nos programas de televisão e quem sabe cantar no Gugu e no Raul Gil que era o meu sonho. Ele me observou e disse: eu não tenho muita coisa, mas pegue esses 5,00 pra te ajudar na viagem. Esse amigo era o José Augusto, “o Zeca”, que agradeci e muito contente, nos despedimos e fui em direção a casa do meu tio que de linda era uns quatro quilômetros andando, por que cada centavo desse dinheiro tão valioso iria me fazer falta se fosse ônibus.
Cheguei na casa do meu tio mas ele ainda não havia chegado. Mas estavam outras pessoas, inclusive seus filhos de criação, os filhos de sua esposa. Também estava um grande amigo, o Daniel Fortuna que me deu muita força moral e boa sorte no meu mais ousado investimento, a partir daquele momento era pra valer. Quando meu tio chegou, todos na casa ficaram contentes em contar a ele a minha investida, mas eu não dei nenhuma informação do que planejara a fazer, e disse apenas o básico, que iria atrás do meu sonho, a passagem estava na mão e tudo estava arranjado à viagem de amanhã rumo à Belém. Do jeito que ele estava, sentado no sofá, assim ficou. Pedir um apoio financeiro, mas me negou, dizendo que não tinha no momento. Pedi à ele uns três quilos de farinha e cinco latas de conservas de carne bovina, prontamente ele me cedeu. E, seguida fui me organizar. Na realidade, eu já está pronto a um bom tempo com minhas coisas. Eu tinha uma pessoa amiga, como uma mãe, a dona Meriã, que morava perto da casa dos meus tios, amiga da minha tia, professora Val, que também gostou muito de mim e se sensibilizou com minha causa e com carinho cuidava das minhas roupas e da casa, dando uma faxina, deixando-a organizada para a chegada no começo de semana dois meus tios, porque até hoje, mesmo com 35 anos, não tenho jeito de serviços caseiros.
Essa amiga infelizmente nos deixou e não pude ver sua família desde esse tempo, que foram muitas coisas acontecendo em minha vida, mas o que ela me disse foi: Joarão, não deixe o seu sonho por acreditar que ele não vale a pena, vá e seja feliz. Então eu fui. No sábado de manhã, 15 de março de 2003, as seis da manhã, me despedir de todos e sai. Meu amigo Daniel Fortuna me acompanhou até a parada de ônibus. Eu levava uma grande mochila contendo as minhas roupas, todas organizadas pela dona Meriã, e outra com todos os meus documentos pessoas, diplomas, certificados e outras formas de documentação para me dar referências e bases do que realmente eu era, e o meu violão. Mas por minha escolha, não atuava, e sim queria mesmo ser cantor e compositor sertanejo. Quando chegou a hora de pegar o ônibus, ao me despedir do grande amigo Daniel, ele puxou da carteira 20,00, e disse, não tenho muito, mas pode dar uma força pra você e que Deus te ajude nessa sua meta. Agradeci novamente aquele amigo que foi essencial na minha jornada. Assim eu fui para o Porto, na cidade de Santana.
No ônibus e fui refletindo a minha vida, e se eu estava fazendo a coisa certa. Eu e meus pensamentos fomos até o porto, mas, por uma hora ou outra pensava em voltar a trás, mas logo vinha uma força dentro de mim me animando em segui a trilha desconhecida. Cheguei ao porto umas duas horas de antecedência, dava até pra se despedir dos meus irmãos que moravam em Santana, e da minha tia, dona Maria Gomes, mas não quis, até por que o navio estava pronto, e todas as expectativas de partir pra cidade de Belém, que é a mais badalada do norte do Brasil, pelo menos pra nós aqui no Amapá era muito grande, não queria correr risco nenhum.
Às 10 horas o navio partiu rumo a cidade, para pra muitos mente medo, e realmente senti muito medo a bordo daquele navio, por me aventurar no desconhecido, e por um Brasil por mim não explorado. Quando ele se deslocou do porto, bateu uma saudade de casa, e agora? Só restava então colocar meus planos em prática e pedir, como sempre mais proteção de Deus, como disse antes, pra colocar pessoas boas no meu caminha e me ajudar e me orientar por onde andar. Foi uma grande aventura, mas mesmo assim, um grande aprendizado que eu tive nessa viagem. Logo de cara, encontrei um parceiro, filho de uma senhora que estava a bordo. Não sei sua personalidade e tão pouco se era gente boa ou ruim. Mas que me apresentou a sua mãe e nos começamos a conversar e fui contanto o que pretendia fazer. Meu plano, disse a ela, chegando em Belém, era ir para um posto de combustível, saída para São Paulo, e lá pegar uma carona pra poder segui minha jornada. Até porque, não tinha dinheiro o suficiente pra comprar uma passagem até São Paulo de cara. Meu plano era simples, mas muito difícil desse ela, até porque, a partir de Belém, certamente não conseguiria carona tão fácil como estava planejando, pois motoristas tem muito receio em dar carona a pessoas estranhas, mesmo com boas intenções como eu tinha.
Nessa altura, o navio já estava passado a pequenos vilarejos do Pará, a vista era linda, mas não achava interessante ficar por lá. Belém já se aproximava, e ai foi que o medo e o nervosismo subiram até a cabeça. Mas, pedi a Deus orientação, e no momento de agonia, sem conhecimento, não desisti do objetivo. A senhora queria me dar uma força, me levando pra sua casa, mas não quis. O que quis dela foram os toques detalhados de como chegar à saída, que pegava a Belém-Brasília. Agradeci o seu apoio, e vi também no olhar de seu filho, que mesmo sendo companheiro, tinha alguma resistência da minha presença em sua residência, mesmo sendo por pouco tempo.
O que me diferenciava, nessa estrada era o modo em que eu me comportava com as pessoas. Eu não tinha maldade e tão pouco desconfiava de alguém, mas, sentia dentro do peito, que não deveria parar pra ouvir pessoas que não fossem positivas, era o meu antídoto contra a incerteza. Ouvir e não parar era a minha missão. Mas ouvir os seus conselhos. Na despedida, ela me disse que tinha um deputado federal do Pará, que por sinal era músico e dono de banda, e que ele tinha um programa na rádio Liberal, ele, poderia me dar uma força. Realmente era verdade. Ela me disse onde ficava a rádio, e assim, peguei um ônibus e fui até lá. Já era uma tarde de domingo, na hora que peguei rumo a referida rádio, com o propósito de encontrar o deputado. Chegando lá, fui a diretoria, mas como era domingo não tinha ninguém, apenas o vigilante. Conversei com abertamente com ele, a qual me desse que o deputado não estava na capital e que estava em Brasília. Mas me disse que tinha muita gente que fazia o mesmo que eu estava fazendo, esperar ele na rádio para tentar conseguir alguma coisa. Fiquei naquele momento por alguns minutos parado em sua frente especulando algo a mais, até que perguntei a ele: Amigo, onde é que eu pego a estrada que dá acesso a São Paulo, a famosa Belém-Brasília? Ele me respondeu com precisão. – Amigo, é essa que passa aqui na frente da rádio. O ônibus que você vai pegar é o que dá acesso à cidade de Ananidêua, cidade que fica na região metropolitana de Belém. Perfeito. Agradeci e sair rumo a BR, que por sinal já era a famosa Belém-Brasília. O “buzão” foi chegando e foi parando e já fui entrando rumo a um posto de combustível nessa cidade. Meu objetivo era daquele momento em diante não mais olhar pra trás e tão pouco ouvir alguém que pudesse me desviar da minha rota. Eu não sabia onde estava, mas perguntando, como diz o famoso ditado, “quem tem boca vai a Roma”. Não queria ir a famosa cidade da Itália, mas queria estava na rota certa da famosa cidade dos sonhos de todos os brasileiros; São Paulo.
Perguntei o cobrador se esse ônibus passava na cidade de Ananidêua. Ele disse que iria pra lá sim. Então sentei ao seu lado pra que pudesse me orientar o local certo pra descer. Nessa altura, era umas três horas da tarde de domingo. O meu coração estava leve por estar na rota certa e até aquele momento tudo estava dando certo. Dei uma relaxada na poltrona até que o cobrador me acionou dizendo que já estava na hora de descer, até porque tinha um posto de combustível bem estratégico ali, m local onde pudesse pegar minha carona. Desci e como estava um pouco cansando e com fome, fiquei parado um pouca vendo a grande movimentação de caminhoneiros que entrava e saia do posto. Certamente vi que era um local ideal pra conseguir uma carona até São Paulo. Sentei na beira da calçada da rua, até criar coragem de chegar perto de um vigilante. Pedi alguma informação a ele e contei a ele o meu propósito. Falei que eu era do estado do Amapá e que estaria ali pra tentar pegar uma carona e seguir rumo a São Paulo. Falei a ele do meu sonho de ser cantor sertanejo, e que se poderia ficar por ali pra então tentar convencer algum motorista numa possível carona. Prontamente ele não ofereceu nenhuma resistência, e disse pra que eu ficasse tranquilo tentando as minhas investidas no meu objetivo.
Como ele era o vigilante e bem conhecido, logo me apresentou a alguns caminhoneiros cegonheiros, aquelas carretas que transportam carros. Meu objetivo era pegar uma carona dessas, porque iria dentro do carro e não traria nenhum desconforto ao motorista parceiro. Já era umas sete horas da noite de domingo, e não consegui nada. Passei a noite no salão do restaurante da churrascaria, depois de fazer uma cama de mesas, lógico, com a permissão do vigilante que já tinha ganhado sua confiança.
Na manhã de segunda, acordei bem cedo, fui ao encontro do amigo vigilante, que estava se aprontado pra deixar seu posto de serviço, e fui agradecer por tudo e que estaria muito contente por me dar apoio. Ele me desejou boa sorte e me orientou que não desistisse dos meus sonhos, e que torcia muito por mim. Fique feliz e fui a luta em busca da carona. Falei com muitos carreteiros sob minha situação, mas a reposta era negativa. Era um negativo com respeito a carona, mas não deixavam de me dar um apoio moral, uma ideia, e um prato de comida. Até dinheiro alguns me davam. Passei a segunda inteira e nada. Mas não desistir. Até porque, estava longe de casa, e o que eu tinha não dava pra voltar e se voltasse, certamente passaria por medroso e poderia perder uma oportunidade de fazer algo que acreditava de verdade.
Amanheceu o outro dia, era terça feira de março. Era o dia 18 daquele mês. Depois de passar mais uma noite naquele posto, por um momento vi que minhas esperanças estavam se acabando. Mas não desistir, mesmo com muitos comentários de pessoas que me dizia que ir pra São Paulo era uma loucura. O paraense não saia da sua terra por que não tinha necessidade. O mais louco de tudo era que ouvia de pessoas como “ chapeiros”, aquele pessoal que carrega de descarrega carga. Uns diziam que não saiam do Pará porque se quisesse beber açaí tinha lá, se quisesse comer peixe não era problema, no rio tinha bastante, então o que fazer em São Paulo. Fiquei espantado em ouvir tudo o que eles diziam, até eu refletir um pouco. Então criei coragem e retruquei a essas pessoas dessa forma: - Amigos, vocês nunca saíram do seu estado, por acharem que aqui tem fartura, e tem mesmo, sob o que estão dizendo. Mas o que eu quero aqui não me oferece dentro da grandeza que procuro, e vocês, amigos, pelo que eu vejo, nunca saíram dessa vida de chapeiros e pelos visto, vão ficar sempre nessa vida. Eu digo a vocês, eu vou seguir a minha vida e fiquem bem.
Quando estava conversando com aqueles “caras”, um caminhoneiro me chamou em particular e disse: - Parceiro, o que você está querendo é muito difícil dentro da nossa realidade atual. Muitos colegas estão muito assustados com assaltos e outros problemas e que não estão dando carona mais. Mas lhe aconselho que pegue carona em escala. Tipo assim: pegue uma que vai até Imperatriz, MA, outra que vai até Brasília, e assim por diante. Logo você através de escala, chegara no seu objetivo e com mais segurança. Direto pra São Paulo será muito difícil. Ouvi e refleti.
Essa orientação ficou na minha memória e apeguei como uma informação de quem conhecia a estrada e seus segredos, até porque era um caminhoneiro coma anos de estrada passado um detalhe que poderia mudar a minha vida a partir daquele instante. Fique por insistindo com um ou outro carreteiro o dia inteiro. Uns me davam esperanças, e outros me pagavam alimentação e às vezes até dinheiro me davam, acreditando que eu poderia me sair bem na minha carreira. Posso dizer que esses camaradas foram os primeiros investir na minha carreira sendo eles desconhecidos. O certo que estava mesmo assim impaciente com tatos elogios e apoio,mas carona mesmo, nada.
Era por volta de 7:00 horas da noite. Uma chuva caíra, quando um caminhão da marca Mercedes Benz, tipo baú, da cor verde abacate entrou no posto. Logo veio na mente o que o amigo caminhoneiro me disse sobre fazer escala até chegar ao meu destino. Uma oportunidade surgiu na minha frente, era de ouro pensei. O caminhoneiro estacionou o caminhão, saiu, e fui encontrá-lo. Abordei-o com a minha marca registrada, dizendo que eu era do estado do Amapá e estava na estrada quero chegar a São Paulo. Meu objetivo, disse a ele, era seguir a minha carreira de cantor sertanejo, e como não tinha dinheiro suficiente de pegar ônibus, ou outra condução pagando, que se não fosse incomodo da minha parte, que ele me desse uma carona. O senhor me respondeu negativo ao meu pedido, mas não deixou de colocar sua situação também. Ele me disse que iria pra Brasília. Estava com seu filho, e que estava passando por problemas a uma semana em Belém. Até o pneu de step do caminhão ele teve que empenhorar para poder comer com o filho, disse ele. Agradeci e dei boa sorte a ele. Realmente estava difícil uma carona, até mesmo por conexão, pensei.
Observado o movimento, eu vi que ele estava tentado colocar o pneu em baixo no caminhão. Ele era franzino e baixo, calvo, não tinha força suficiente para colocar o pneu, mesmo com a ajuda do filho. Esse rapaz tinha uns 17 pra 18 anos. Percebi que estava mal humorado, estava até chorando com saudade da sua mãe que estava em Brasília. Eu vendo aquela cena, me veio uma vontade de ajudá-los, e assim fiz. Já estava perdida a corona daquele senhor, mas, não dava pra ver ele se matar praticamente sozinho. E quero aqui deixar claro que em Belém, ou em qualquer cidade grande do Brasil, dificilmente alguém ajuda de boa vontade o outro. Mas quero deixar registrado que minha iniciativa em colaborar com aquele senhor e o filho foi uma forma de me aproximar sem saber da sua boa vontade de me ajudar também.
Nesse momento com suas forças já se exaurindo, entrei de baixo do pneu, que pesa uns 60 quilos, por aí. Fiz macaco de apoio, levando-o para a base enquanto eles organizavam o parafuso pra prendê-lo. Encerrando aquela força, voltei a pedir a carona, por saber que estava na minha rota. Ele olhou pra mim e disse: - cadê as suas coisas? Pegue lá. Porque já vamos. Foi à maior alegria que senti em todos os momentos que já vivi nessa loucura pelo sonho. Certamente foi a porta de entrada pra passar de fase de jogo que Deus estava querendo que eu jogasse. Não perdi tempo. Corri na loja de conveniência onde estavam guardas as minhas poucas coisas. Entrei na boléia, me posicionando no meio dos dois e partimos. Observei que o filho não gostou da sua decisão, mesmo que eu tinha o ajudado, pensei, não dava o direto de atrapalhar sua viagem com um carona. Mas acredito que foi só pensamento mesmo. Num instante todos calados, estando na estrada, ele me perguntou de onde eu era mesmo, porque no calor da chegada ele não me deu a atenção devida. Disse a ele que era do Amapá e estava atrás de realizar o meu sonho de ser contar e compositor. Certo que falei mais sobre minha vida, minha família, mas que era uma decisão minha e, sair dessa forma da minha terra e do meu pessoal, foi o jeito que encontreis de seguir um caminho mais dificultoso, mas podendo ter a oportunidade de ser eu mesmo, lógico com a ajuda de pessoas boas que pedi pra Deus.
Daquele instante na boleia daquele caminhão, ao lado de duas pessoas que nunca pensei que poderia cruzar meu caminho, na estrada, e mais ainda, mesmo querendo ser o que queria ser, eu não era bom o bastante tecnicamente pra tocar meu violão com qualidade como muitos músicos solos fazem bem. Meu repertorio simplesmente eram as minhas próprias composições, e algumas como “dormi a praça”, estourada com Bruno e Marrone, e outras, mas não passavam de umas dez músicas no total. Esse era o repertorio que pretendia encantar o nosso Brasil. Era um louco, sem noção, mas um eterno sonhador.
Essa era sempre a reflexão que fazia quando alguém me pedisse uma música que não sabia. Como é que vou me virar. Aí é que eu sempre digo que quando está com Deus, está bem, então não liguei pra o que as pessoas pensavam, e no mais, poderia improvisar e ser artista articulado, coisa que só a estrada poderia me ensinar. E nesse rumo fui, agora na companhia de dois camaradas, pai e filho, direto pra Brasília.
Depois de percorremos uns 15 quilômetros, com muita conversa e pouca música, o senhor Waldir era como se chamava, me pediu que eu cantasse uma música. Falei que eu iria cantar uma composição minha, a primeira que compus, e quando eu tinha composta, nem sabia tocar violão. Essa música eu tinha em homenagem a um amor e que estava levando pra poder gravar no futuro, disse a ele. Ele ficou curioso, mas o filho não deu muita importância com minhas declarações. Como diz o ditado, da mamãe, “ele estava ainda emburrado”.
Peguei o violão que estava no meu colo, levantei no meio e cantei:

SAUDADES DE VOCÊ
JOARÃO ARAÚJO
VOU EMBORA E VOU LEVAR COMIGO A SUA FOTO
PRA NÃO ESQUECER O ROSTO LINDO QUE ME CONQUISTOU
VOU LEVAR NA MINHA ROUPA O PERFUME QUE TIREI DO SEU CORPO
DAQUELA NOITE LINDA DE ESTRELAS QUE FIZEMOS AMOR

MEU BEM FICARREI COM SAUDADES DE SUAS POESIAS
QUE DECLAMAVA BEM PERTINHO DO MEU CORAÇÃO
VOU LEVAR UMA CÓPIA DA CANÇÃO DE SUA AUTORIA
A CANÇÃO QUE VOCÊ COMPÔS QUE FALAVA DO NOSSO AMOR

EU SEI QUE VOU FICAR LONGE DE VOCÊ
MAS SÓ O TEMPO VAI FALAR QUANDO EU POSSO TE VER
SEMPRE ESTAREI TE LIGANDO, PRA OUVIR A SUA VOZ
AMOR, NÃO ESTOU MAIS AGUENTANDO
SÓ QUERO ESTAR COM VOCÊ FAZENDO AMOR.

Depois de cantar essa canção, ganhei dois fãs e dois companheiros de estrada e agora de ideal. O rapaz se chamava Fábio, e ele ficou empolgado com a minha apresentação que logo após, me cumprimentou e selamos amizade. Foi muito bom, mas foi só essa música que cantei, sabendo que tinham outras, mas já estava muito tarde e mais adiante iríamos parar pra jantar na churrascaria de posto.
Essa carona realmente foi divina. Acredito que Deus estava sempre comigo, porque tudo estava acontecendo, mas,por ser muito inocente nas coisas da vida, não percebia naquele momento que estava se desenrolando a minha história. Ao logo de seis dias ao lado desses amigos, foi criada uma grande irmandade por nós. Enfrentamos muitas dificuldades, e o responsável de tudo isso foi o senhor Waldir. Primeiro que ele levava uma carga de peixe da Amazônia, sob sua responsabilidade e outra, que estava levando dois jovens, o seu filho e eu, que a partir do momento que nos encontramos na boleia do caminhão, ele assumiu toda a responsabilidade e segurança de nossas vidas. Foi muito incrível.
Mas os acidentes de percurso aconteceram ao longo daquela viagem. O era pra ele chegar em Brasília com a carga em três dias, e a viagem teve vário imprevistos. Esses imprevistos foram acontecendo no decorrer de todo o percurso, com quebras do caminhão de todas as maneiras que se imaginava. Acho que o caminhão que quebrou umas cinco vezes em todo o percurso. Nisso, ao esperar o conserto, sempre íamos pra as churrascarias passar um tempo. Ele pedia uma cerveja, e pedia pra que eu tocasse uma música. Eu ficava um pouco tímido, por não ter um repertório mais amplo, e tinha um pouco de receio de ser questionado nas primeiras que eu cantava. Mas sempre eu tinha uma estratégia. Cantava duas músicas de sucesso que sabia, tipo, “dormi na praça” “amor de carnaval”, ambas de Bruno e Marrone, que estavam estourados naquele ano. Como eu não sabia trocar de tonalidade automática, afinava o violão numa altura que minha voz se destacava e puxava a interpretação no estilo dos artistas, e assim ganhava o público que me ouvia. Logo em seguida, cantava umas cinco músicas de minha autoria pra mostrar o meu trabalho pessoal, e assim ganhava o reconhecimento de todos. Quando via alguém que tocava, dava o violão pra seguir a confraternização ou parava de tocar, falando algo que me saísse sem provocar a insatisfação das pessoas que estavam me reconhecendo e que por ventura queriam ouvir mais. Essa era a forma que estava apresentando em todas as paradas obrigatórias ou acidentais, mas que a minha rotina era essa.
Passamos seis dias na estrada até chegar a Brasília. Os donos da carga e o dono do caminhão estavam agoniados com ele, por não ter dado nenhuma notícia sobre o seu paradeiro. O caminhão já estava sendo procurado na estrada e os referidos donos da carga e no veículo, que tinham acionado a polícia rodoviária federal, sendo que todos os trechos estavam sabendo que o caminhão possivelmente, estaria sendo escoltados pelas autoridades. E realmente foi, quando nós passamos no posto de fiscalização de Goiás-Brasília, rodando uns 200 quilômetros, fomos abordados e escoltados pelos policiais que vinham ao nosso encontro. Mas essa situação no momento constrangedora, não foi por que o seu Waldir quis fazer por fazer, simplesmente por vaidade ou outro tipo de pilantragem, não. O fato ocorreu, simplesmente, por ele ter me levado e, juntos, nós três, fomos companheiros e cuidamos uns do outro. Lembro que numa vez que o caminhão quebrou o diferencial, estávamos a uns 20 quilômetros da cidade mais próxima. E foi um choque, todos nós estávamos com fome e não tínhamos naquele instante nada para comer. Quando saímos do caminhão observando o problema, a viagem acabara de ficar interrompida. Ficamos lá, enquanto passava uma carona pra chegar a cidade mais próxima e comprar um diferencial e trazer mecânico. Quem foi até a cidade foi o Fabio, enquanto nós ficamos esperando. Já passava do meio dia e disse: - Tenho três latas de conservas e dois quilos de farrinha, vamos comer? Essa merenda veio na hora certa, ou melhor, veio na minha mochila do Amapá, pra comer com eles de baixo de uma árvore no Maranhão. Nesse momento, vendo ele que a gente não andava em que era a sua vontade de logo chegar, e passou pela sua ideia de me dizer que era melhor pegar outra carona, que ele estava percebendo que estava prejudicando a minha viagem. Nesse momento o repreendi e disse que nós iríamos até o final, mesmo com tantas ocorrências negativas acontecendo. E assim, fomos nos virando como diz o ditado, como podemos na estrada, sem perder a fé o ânimo.
Não desistir de suas companhias, indo até as ultimas conseqüências no que se fosse preciso. E nessa altura da viagem, acredito que já percebendo os problemas vindouros, me orientou que no interrogatório das autoridades ou demais pessoas vinculadas nesse problema, que daquele momento em diante eu era um cunhado seu, que vinha da cidade de Gurupí, Tocantins, e por isso, assim fiz, e fechamos qualquer informação que fosse de referencia a acusação de pessoas ligadas as empresas relacionadas com ele. Certamente foi muito difícil omitir informações num momento de muita pressão. Mas assim fiz. O Fábio por ser o filho, era o encarregado dessa parte, até por que não tinha acesso a outros detalhes, a não ser confirmar o que fora orientado por ele, antes de nos ter abordado na estrada.
Chegando em Brasília, era por volta de 10 horas da noite de domingo. Estava caindo uma chuva fina na cidadã de Taguatinga norte. O seu Waldir foi pra sede da empresa, junto com outras pessoas e prestar o seu esclarecimento, enquanto eu e o Fábio fomos pra o apartamento deles na Asa Norte da cidade, e encontrar sua família que estava muito preocupada, tenha certeza. Nessas horas, o Fábio conseguiu controlar sua mãe e seus irmãos que estava tudo bem com seu pai.Foi aparecer na família umas 2 horas da madrugada, já resolvido tudo, mas infelizmente demitido do seu emprego de caminhoneiro. Foi triste, mas foi o que aconteceu depois desse anjo que Deus me apresentou em me ajudar a lutar pelo meu sonho. Essa pessoa, amiga e companheira não a vejo a muito tempo, mas que marcou história na minha vida e faço questão de homenageá-la, mesmo não sabendo o seu paradeiro. E lógico, essa família, que me deu a grande força quando cheguei a sua companhia em Brasília, em sua residência.
Fiquei u uma semana na companhia de sua daquela família. Foram altos e baixos. O seu Waldir me apoiou de todas as formas. Queria me apresentar a cantores e outros parceiros de bar, pra que u pudesse por ali dar início a carreira. Ele sempre me orientou se por, em Brasília não quisesse ficar, e decidisse sair rumo outro lugar, que iria pra Goiás, em especial pra Goiânia, que é o celeiro da música sertaneja. Lá, segundo ele, teria mais chances de conseguir apoio ou um empresário, sem precisar correr o risco grande de ir pra São Paulo sem condições. Suas dicas foram valiosas em nossas conversas que já imaginava como encarar à situação só em diante, confiando apenas em Deus. E observei que o tempo estava se esgotando pra mim, até porque estava quase uma semana sem consegui nada, e só comendo das suas economias, resolvi então numa conversa, entre todos os membros, agradecer pelo apoio, sendo que estava sem dinheiro pra seguir a estrada, sendo que não queria também que saísse sem um real pra poder pelo menos comer.
Na manhã de sábado, seu Waldir e sua esposa chegaram até eu, e com simplicidade me deram 20,00 de sua economia pra que eu pudesse seguir a minha jornada. Eu já estava preparado e sempre pronto para minha jornada. Depois de suas recomendações finais, uma coisa me marcou muito. Seu Waldir, já tinha me orientado antes de chegarmos em Brasília, que Goiânia era o meu lugar certo. No que eu estava disposto a fazer era o lugar ideal. E só apenas retificou a sua sugestão, que faria pra qualquer filho que quisesse seguir uma vida andante como eu me propus. Ele me orientou que em Goiânia, tinha albergues, lugar mantido pelo governo da cidade, que com programas assistidos pela sua secretaria competente que, mantinha, dando apoio a pessoas que vinham de outros estados à capital fazer seus negócios, ou de passagem, rápida, economizando alguns trocados em aluguel ou hotel, em sua hospedagem. Fiquei muito contente com essas informações que pra mim eram inéditas, divido que no meu estado nunca se ouvia falar desses programas.
Logo após as muitas recomendações, me despedir e sair, junto ao amigo Fábio para o ponto de ônibus que dava acesso ao terminal rodoviário de Brasília, rumo a capital de Goiás. Não é mentira, não é mesmo. Tudo isso ocorreu no dia 01 de abril e 2003, pra muitos, como dia ideal pra se fazer pegadinha, relacionada ao dia que se brinca com pessoas, falando coisas sérias, e por atrás da seriedade é brincadeira, ou simplesmente, mentira. Não. Foi a minha entrada ao novo mundo, sem conhecer ninguém, como de praxe.
Chegando a Goiânia, fui direto ao local que seu Waldir tinha me orientado onde estava o albergue. Perguntando aos andantes onde era o albergue da cidade, alguém me respondeu que era mais adiante, como tinha me dito o seu Waldir. Cheguei lá, me apresentei, e perguntei se ainda tinha vaga pra alguém no albergue. Um funcionário me orientou que eu deveria fazer um cadastro na assistência social que ficava no terminal rodoviário, e que se eu tivesse muita sorte, às 17 horas, naquele mesmo lugar pegaria um transporte ao albergue que era dos viajantes, esse a qual estava, dava apoio ao idosos. Voltei ao terminal muito ansioso e pedindo a Deus que tivesse uma vaga disponível. Fui diretamente pra assistência social, fiz a entrevista com a assistente, e ela por minha surpresa, me disse que só tinha uma vaga e que estaria a minha disposição. As 17 horas a condução iria pegar não só eu, mais outras pessoas no albergue dos idosos.
Fiquei muito feliz. Ainda tinham na carteira 6,00 reais dos 20,00, que seu Waldir e sua esposa me dera. Nessa altura já se passava 14 horas da tarde e a fome me apertava, mas não queira gastar os últimos reais que tinha eu disponível pra qualquer eventualidade. Logo que chegou o horário, eu meu violão e minhas bagagens fomos para o albergue, na companhia com outras pessoas, que como eu estava na mesmo situação, sem poder pagar hospedagem. No meu caso, tudo que estava acontecendo foi obra do meu pedido a Deus, de colocar pessoas boas no meu caminho pra me ajudar. Mesmo não entendendo, e não sabendo distinguir sob natural ou sobrenatural, como ainda sou, eu sempre agradeci a Deus por me dar proteção e paz nas horas que mais eu precisava. Estava longe de casa, longe de tudo, e seguindo apenas uma estrela guia, que nem eu mesmo sabia dizer onde ela me levaria.
Todos que tiveram a oportunidade de estar naquela Kombi rumo ao albergue tinham o direito de passar 15 dias. Logo, depois desse prazo, o cidadão dava vaga e segui a sua viagem. Esse tempo era o suficiente pra consegui alguma coisa e se posicionar na capital. E chegando lá, logo percebi que o albergue tinha muitas coisas interessantes. Percebi que era mantido pela prefeitura em sua comodidade, como logística e alimentação, mas a estrutura fora construída pelos MASONS. Logo na chegada, foi uma surpresa, saber dessa informação que pra quem é desenformado, pensa negativo sobe esse aspecto. Mas, como não tinha nenhum problema sobe esse tema, fiquei grato em chegar ali e logo fazer amizades. Na parte da noite, depois do expediente do dia, travava cantar e mostrar algumas composições minhas, e nas cantorias, ganhava fãs e amigos que me orientavam como chegar a apresentar minhas composições aos cantores grandes da música sertaneja que moravam em Goiânia.
Os dias foram passando, e já estava na companhia de um amigo que conheci no albergue. Ele se entrosou comigo, queria me seguir, mas disse que não dava devido o meu incerto paradeiro. Mas sua insistência foi grande, se colocando a disposição de me acompanhar, sendo meu guia na grande capital do estado, que não conhecia. Esse amigo era o Willian. Filho de Inhumas. Tinha tudo em nessa cidade, mas por situações do destino, estava vivendo na rua por desilusão. Foi difícil me convencer, mas me convenceu. Depois de analisar, percebi que não perderia nada com sua companhia, até porque, eu precisava de alguém que conhece bem Goiânia. E era uma grande oportunidade, de ter um guia pra me levar em alguns lugares que precisava ir. Nessa ocasião, eu estava planejando, logo no segundo dia, a ida num local que soube, depois de uma conversa com o vigilante da instituição, que eu poderia tentar ir até a Casa de Apoio São Luiz, instituição mantida pelo cantor Leonardo tentar passar uma música a um parente do cantor, e soube também que era a sua mãe que comandava a referida casa, que mantêm um trabalho de amparo as pessoas portadoras de doença de câncer. Fiquei em no estado de êxtase quando o amigo vigilante me deu essa ideia, e por isso, o Willian se prontificou em me levar até o local pra poder tentar a sorte.
Logo pela manhã, saímos bem cedo rumo a cidade de Aparecida de Goiânia, que fica na saída da grande Goiânia. Nesse negócio de ser esperto, realmente, o Willian era um craque. Na verdade estávamos sobrevivendo e nos aventurando nessa jornada. Eu não sabia o certo onde iria chegar até o meu sonho, mas sei que tinha que passar por uns bons bocados pra chegar lá. Nessas investidas foi essa. O rapaz me guiava na grande cidade, porque ele conhecia todos os detalhes de entrar num local e não pagava. Tive que passar por isso, até porque, pra poder chegar em Aparecida de Goiânia, tinha que pagar os bilhetes, e nesse momento da minha realidade financeira eu não tinha mais nada, e ele, coitado, não tinha como pagar os bilhetes até essa cidade. Mas o rapaz deu um jeito simples. Chegando no terminal, entramos por trás para os fiscais não nos verem e entrando, certamente eles não saberiam distinguir quem era quem, na verdade nós entramos sem pagar. E com isso, nos dava o direito de segui até a cidade sem pagar mais, mesmo se pegássemos outro ônibus. Foi assim que se deu essa aventura até a cidade, que chegando na Casa de Apoio, o negócio era comigo em apresentar minha história e pedir o apoio da senhora. Falei com um funcionário, relatando a minha situação, e que queria entregar uma música pra ela, e que se possível passar ao seu filho Leonardo. Mas o rapaz logo me desenganou, dizendo que muitos compositores fazem isso, mas ela, por questão de segurança, só vem uma vez por mês na instituição, e é ainda muito rápido, dificultando o acesso a ela.
Foi triste ouvir aquelas declarações, mas infelizmente foi uma dura realidade, pra quem teve uma pequena esperança de ter uma música na voz desse ícone do seguimento sertanejo. Essa música tem por título, “sozinho estou”, e sozinho voltamos sem esperança para o albergue, da mesma forma em que fomos. Pena que não entregamos está música
O que ficou na minha memória, foi à ida naquela cidade, o qual pôde observar suas peculiaridades. Uma cidade bem arrumada, estilo rural.
E assim fiquei, ao longo de 8 (oito) dias naquela instituição, o albergue, mas fazendo as tentativas de sempre. Até que chegando ao Willian, acertamos então tentar ir pra São Paulo andando. O Willian tinha um problema no pé. Ele quebrou e passou por um tratamento, e perguntei a ele se encararia essa jornada. Pensei assim: “Se eu tinha vindo de carona até Brasília, e cheguei até em Goiânia, porque não ir até São Paulo. Certamente, um bom plano, poderíamos chegar a grande Capital”. Passei a ele a minha ideia e ele confirmou.
No dia seguinte, ao completar o oitavo dia,num dia de sábado, tomamos um reforçado café e saímos. Eu com as minhas coisas e ele com as suas. Meu companheiro violão estava comigo, apesar de uma das suas cordas estava quebrada. Fomos rumo ao grande sonho, de tentar a sorte em São Paulo, mesmo quebrando a promessa que fiz ao meu amigo Waldir em Brasília, que não sairia de Goiânia.
Saindo de Goiânia, era por volta de 10 horas, quando começamos a andar em direção a São Paulo. Meu plano era o seguinte: “ao chegar à estrada, minha meta era chegar a São Paulo sim, mas não com muita pressa. Até porque, como sabia que tinha muitas fazendas ao logo da estrada, o plano era parar, pedir uma semana de serviço, ou um mês, conseguia recurso e prosseguia na viagem. Sendo que nunca poderia se desviar do objetivo, chegar um dia em São Paulo. Até porque, queria me aprimorar na música, conhecendo de perto o estilo sertanejo que estava em evidência na região onde passava e aprender os sucessos que já eram consagrados pra poder apresentar com ousadia num programa de televisão, como Gugu e Raul Gil, que era o meu objetivo”. O Willian, simplesmente nessa história, se tornaria meu acesso, ou quem sabe, aprenderia a segunda voz, mas não era bem afinado, e o trabalho seria muito grande pra afinar o rapaz, que queria cantar.
Andamos acho uns 10 quilômetros, estávamos passando das 15 horas e a fome era grande. Não tínhamos como sempre dinheiro, e então encostamo-nos a um restaurante, que ficava na beira da Br. O restaurante se chamava “o sertanejo”. O objetivo era pedir um prato de comida a alguém. Logo na chegada, deixamos as coisas numa mesa, e fomos conversar com um senhor gentil, que ouviu a minha versão e ficou sensibilizado. Chamou a dona do restaurante pra nos ouvir e pedimos dela um pouco de comida. Falamos que éramos cantores que queríamos ir pra São Paulo, mas que eu era de outro estado e ele era de Goiás, mas que precisávamos fazer isso, devido à falta de oportunidade que aqui não teríamos encontrado. E que nesse momento estávamos dispostos a ir até à pé. A senhora ficou fã da minha historia que realmente é maluca, mas que graças a Deus, fomos abençoados com dois apetitosos pratos de comida e foi a primeira vez que pude apreciar a comida goiana de verdade, e no prato veio o famoso, ”frango com pequi”. Matamos a fome graças a generosidade daquela senhora, acompanhada pelo aquele senhor que ainda nos doou 10,00 reais, um nota de plástico. Ficamos por ali e falei pra o Willian vamos? E quando nós nos levantamos, a senhora dona do restaurante convidou-nos a vir pra mesa de dois senhores rapazes. Eles queriam ouvir músicas sertanejas. Fiquei agoniado, porque voltaria a me apresentar com meu velho repertório aos desconhecidos, e ainda por quebra, o violão não tinha uma das cordas. Falamos que iríamos ir embora, pois a vagem era longa e se passava das 18 horas naquele momento.
Não teve jeito, os rapazes nos convenceram. Na verdade quem me convenceu foi a senhora dona do restaurante. Vi a sua boa vontade de nos ajudar e poderia ser uma forma de devolver a ajuda em forma me música, pensei. Fui até eles e comecei a cantar a música de Bruno e Marrone, “dormir na praça”. Mesmo sem uma corda, deu pra me sair bem na apresentação. Mas os rapazes logo viram que eu cantava e o parceiro era desafinado e logo especularam minha vida. Tive que falar a verdade, relatando a eles todo o meu roteiro, de onde vinha e pra onde eu queria segui. Mas o interessante nessa altura na minha história, que um dos senhores, o Ari, virou logo meu fã e logo quis me ajudar, passando dizer que tinha muitos amigos na área da música e que poderia me encaminhar pra um amigo que dê certo me ajudaria, mas eu tinha que voltar pra Goiânia e não mais tentar ir pra São Paulo. Fiquei uns dez minutos pensando e todos me dando pressão pra me não prosseguir com a minha louca aventura viagem. Então decidi.
Vi que o Ari, foi muito bacana. Não sabia quem eram, mas eles estavam de carro, e a senhora dona do restaurante ainda disse que aquele senhor era genro do dono da empresa detentora, da marca Arroz Cristal. Não sabia o que significaria, mas poderia ser uma boa coisa. Voltamos pra Goiânia. Numa caminhada que fizemos em quase 4 horas andando, na volta percorremos no máximo uns 30 minutos. Na volta eu vim de carro com o Ari e o Willian com o seu parceiro. Ari vinha me dizendo que me daria uma grande ajuda. Era sábado por volta das 8 horas da noite quando chegamos à Capital. O Ari era arquiteto e iria nos deixar numa de suas construções, mas chegando lá estava fechado e o segurança não estava no momento. Nesse caso, só restava outra saída. Nó nos despedirmos e ficarmos nas ruas da grande capital. Na realidade, a ideia do Ari era muito boa, mas ele queria mesmo era que só eu fosse o beneficiado da sua boa ação, até porque o Willian não tinha nada a ver com minha história, segundo ele. No carro ele me contou seus planos com relação a mim e que eu tinha que ligar na segunda pra ele. Deu-me 28, 00 pra comprar comida e comprar um cartão telefônico, pra que na segunda, por volta das 10 horas ligar pra ele. Fiquei contente, mas triste pela proposta de deixar o Willian no banco, até porque estávamos jogando junto desde o momento em que nos tornamos amigos.
Passamos domingo muito ruim. O Willian era dependente de álcool, por isso acredito que o Ari não quis dar uma força ele, e por saber que não tinha talento com a música. Ao longo desse período, ficamos andando por Goiânia, dormindo em baixo de marquises de lojas, andando de um lado para o outro até chegar o dia de segunda-feira pra ligar pra o amigo Ari. Mais foi difícil, o Willian ficou maluco para beber todo o dinheiro e eu com muito cuidado, guardei 5,00 reais pra compra cartão do dinheiro que sobrou. Chegando segunda, vi que tinha que me dispor do companheiro e falei a ele. - Willian, veja quanto é uma passagem pra São Paulo naqueles ônibus piratas, e vamos ir embora. O Ari, não quer te ajudar devido você não ser músico, ou não ter noção do que é a música e ele está querendo só que eu fique sendo apadrinhado dele. Pra que você não fique na “mão”, tenho uma saída. Vamos pedir dinheiro para duas passagens a ele, e vamos agradecer e continuar o plano. Se não, você vai ficar o meio do caminho. O que decide? O Willian ficou mudo por um instante e decidiu ir conferir a passagem enquanto me preparava para ligar pra o Ari. Fiz a ligação e pedi o apoio a passagem, mas ele negou, e disse que estaria disposto de me ajudar, mas teria que deixar o companheiro. Agradeci aquela ligação e então decidi.
A minha decisão naquele momento foi ficar com o companheiro Willian, até porque estaríamos na mesmo barca. Mas de agora em diante estávamos “literalmente lascados”, sem dinheiro, sem contato e sem como se locomover, pois, mesmo que Willian dava um jeito de entrar nos terminais, uma hora a casa poderia cair pra nós. Mas graças a Deus, parece que apesar do sofrimento e a possível oportunidade perdida naquele instante, não perdemos a esperança de continuar, agora com planos bem mais realistas. Eu nesse momento não queria mais ir pra São Paulo, queria uma endereço de poder escrever ou ligar aos meus familiares. Nessa hora, nós estávamos a mais de três dias sem tomar banho, e estávamos andando vagabundo pela cidade sem rumo e sem direção. Foi aí que pensei e falei para o Willian: – Precisamos ir pra uma cidade onde temos que entrar no ônibus sem pagar. Temos que fazer isso mais uma vez. Nossa meta é ir para trabalhar e conseguir por nossa conta meio de voltar a realizar essa viagem. Sei que é muito, mas precisamos fazer isso. Eu quero nesse momento é um endereço pra escrever pra os meus parentes e me localizar com eles o meu paradeiro. Qual é a cidade que tem trabalho por perto de Goiânia e que a gente possa fazer isso mais uma vez, de certo que não temos nada. Em seguida ele me respondeu que poderíamos ir pra o terminal rodoviário, o de Campinas, que pegaríamos um ônibus até a cidade de Nerópolis, que fica situada a 30 quilômetros de Goiânia. Lá nos iríamos trabalhar, mas chegando à parte do ônibus, era diferente dos ônibus coletivos, que a gente entrava sem pagar. Lá a fiscalização era acirrada, mesmo sendo barata a passagem que custava apenas 3,50 até o terminal daquela cidade.
Nesse caso não tinha jeito. O que restava de consolo era pedir um pouco de comida nas casas em torno do terminal, que por excelência, o povo goiano é muito benevolente com relação a alimentação a pessoas carentes. Realmente é muito solidário, e isso eu passei em vida por experiência em ver pessoas que não nos conheciam nos dar um prato de comida para matar um pouco da nossa fome. Foi difícil ver e conviver naquela situação, mas não era um grande problema pra mim, por que eu tinha uma meta, e também, fazia a minha parte pra ajudar o companheiro, por que acreditava que se dêsse sorte na vida, ajudaria com certeza, aquele ser humano que levava uma vida de vagabundo. Foi bom ver de perto essa vida. Muitas pessoas passam por um mendigo, ou morador de rua, e como se fosse um lixo o desprezam como se naquele corpo faminto, não vive um ser em busca da sua luz. Nesses ambientes eu passei à ver e conhecer o meu amigo que era um craque nessa área e me levava pra que tivesse a oportunidade de vivenciar sua rotina, não porque eu queria, mas por necessidade, mas que ao meu lado, ele estava tendo um esforço grande de não me prejudicar, por acreditar que eu poderia ser a sua salvação. Certamente, em alguns aspectos era sim. Quando eu pedi pra que Deus colocasse pessoas boas no meu caminho, agora compreendo quem são elas.
Mas não quero aqui me aportar só nesses episódios dessa história, mas adiantar outros fatos marcantes que me ocorreram na busca do meu grande sonho. Depois de ser barrados no terminal e ficar por dois dias rodando em Goiânia em círculo a procura de emprego, tive outro plano. O Willian era da cidade de Inhumas que fica a 40 quilômetros da capital. Fiz algumas perguntas a ele sobre sua família que por sinal uma parte morava na sua terra natal, inclusive a sua mãe. Seu pai já estava falecido, mas foi criando numa cidade que no mínimo tinha amizades mais próximas e que eram melhores do que em Goiânia, calculei. E foi na mosca, ele me disse que tinha grandes amigos e que o tratavam como um irmão. Certamente era um bom lugar pra trabalhar, imaginei. Mas, a luta agora era outra.
Pra poder chegar a Inhumas, nossa ideia era pegar uma carona na saída da cidade,num local estratégico, que era uma barreira eletrônica. Fomos para o local, onde se concentrava já muitas pessoas onde tinha essa barreira eletrônica. Ao lado, situava uma barraca de frutas, onde pessoas que ficavam, além de apreciar uma fruta apetitosa, também esperava uma carona de conhecidos da sua cidade. Chegamos lá por volta das 16 horas da quarta-feira e ficamos até as 18 horas na expectativa de pegar uma condução até a cidade do Willian. Mas passou o tempo e nada. Voltamos para a rotina de pedir um pouco de comida as pessoas do bairro, aproveita para arranjar um lugar pra passar a noite, porque marcamos de voltar para o mesmo local no dia seguinte e tentar mais uma investida na carona rumo a cidade de Inhumas.
Amanheceu e logo cedo fomos para a parada. A fome estava muito grande. Chegando na barraca de frutas, vi ao lado que tinha umas frutas passadas que o dono jogara no chão. As frutas eram mexericas, laranjas que um dos lados ainda estava bom, então as pegavam e tiravam o que dava pra comer e poder passar um pouco o efeito da fome e ficamos por ali de 06 horas da manhã até, 09 horas e nada.
Observei que tentar pegar carona não estava dando certo. Foi aí que tive uma ideia. Vi que tinha ainda uma coisa de valor material, mas, que era muito útil e essencial pra minha carreira naquele momento, que poderia perder, mas ariscar tudo nessa cidade, e especialmente no trabalho de que estava querendo, o que fosse, sendo que o que eu queria mesmo era um endereço e um lugar pra comer bem e dormi e trabalhar. Cheguei então com o dono da banca, e falei a minha intenção a ele. Queríamos ir pra a cidade de Inhumas, terra do alho trabalhar, mas não tínhamos dinheiro pra chegar lá e tão pouco carona não estava dando certo. Falei quem eu era, que era cantor, e que estava disposto a empenhorar o meu “violão”, companheiro de estrada com ele pra poder chegar até essa cidade. Nós iríamos trabalhar e voltar tirando ele do penhoro. No momento estávamos precisando de 10,00 reais para comprar passagens até essa cidade, e nesse momento ele me disse:- amigo, vi que a situação de vocês é muito grave, e fiquei mais vendo a sua por analisar que você é uma pessoa do bem. Mas te dou um conselho, não vai para Inhumas. Se aqui em Goiânia não está dando, porque entrar mais pra o interior. Respondi então a ele que o que mais queria era um lugar pra ficar, trabalhar e depois retornar com minha carreira, mas lá nessa cidade poderia ter pessoas que nos dessem oportunidades. No momento precisava dessa quantia, mas voltaria pegar o meu violão. Ele me deu o dinheiro, e foi na hora exata que o ônibus da linha estava chegando na barreira eletrônica; parou e subimos rumo a cidade do amigo.
No percurso da viagem fui perguntando algumas coisas a ele com relação a cidade e em especial sobre o seu pessoal que morava lá. Perguntei se eram gentes boas e que poderiam mesmo nos ajudar, sabendo ele que eu era de outro estado, e poderia parecer estranho ele levar um desconhecido pra a intimidade deles, por se tratar de pessoa humildes e trabalhadoras como ele me dizia quando resolvemos ir nos aventurar na sua cidade. O Willian estava seguro e me disse que não era pra eu me preocupar por que ele tinha um grande amigo, um irmão praticamente que morar em uma chácara. Ele se chamava Hélio e era o zelador da referida chácara onde trabalhava e morava com toda a sua família. Também me falou que trabalho por lá não faltava e que o amigo Hélio era muito conhecido entre os chacareiros e logo iríamos estarmos trabalhando, além de fazer muitas amizades que logo chegando,iria me apresentar.
Fiquei feliz e muito animando e nesse momento da minha historio era o que eu mais queria. A viagem não demorou 45 minutos e já estávamos no terminal rodoviário de Inhumas. Era por volta das 11 horas quando desembarcamos e fomos andando para o outro lado da cidade. Andamos do terminal até chácara onde o amigo dele era o caseiro, popularmente. Ao longe o Willian foi gritando e brincando com amigos que estava trabalhando no quintal, que largando o que estava fazendo veio nos acompanhar até a porteira. Como de praxe, ele especulou do Willian que era eu, de onde nós vínhamos e o que estávamos fazendo por aquelas bandas. Nesse momento vi que o Willian não deu uma boa referência em minha apresentação ao seu amigo, fiquei um pouco sem falar e ouvindo ele especulando-o, mas sem detalhes nas respostas do Willian. Como ele estava capinando o terreiro, nos convidou pra lá pra que pudéssemos conversar melhor.
Ao nos convidar pra ir até o lugar onde estava trabalhando, percebi que dava me mostrar um pouco de quem eu era. Chegando, ele pegou a sua enxada, e voltou a perguntar por onde Willian andava que todos ali, estavam preocupados com ele, e o que estava fazendo por Goiânia. Nas respostas do Willian, foi que me colocou na história de seus paradeiros, e que me conhecera num albergue na capital e que nós estávamos por lá pra arranjar um trabalho, porque não dava mais pra ficar andando sem rumo e sem direção. Foi aí que tivemos a ideia de vir pra Inhumas pra ver se consegue um serviço para que pudéssemos sair da crise. O Willian fez uma boa explanação sobre o que estávamos querendo, mas faltou o amigo me ouvir pra saber melhor quem eu era. Sendo que ele, o Willian já conhecia a peça.
Enquanto ele capinava, o Willian conversava e contava os planos. Vi nessa hora que tinha mais duas enxadas paradas; era dos filhos que tiveram antes, mas que estavam se arrumando pra ir à escala. Perguntei ele se poderia dar uma força na capina, até porque era melhor pra conversar trabalhando. Pequei uma dei pra o Willian e peguei a outra e fomos capina pra ajudar o Hélio. A minha enxada estava sem corte. Pedi uma lima pra amolar a ferramenta. Depois de uma caprichada no ferro fui a campo capinar e contar porque estava por aquelas bandas.
Capinamos o terreiro de 11 horas até meio dia. o almoço estava sendo servido e ele nos convidou pra apreciar um saboroso arroz, com queijo, bife, com molho de feijão. Naquele momento agradeci a Deus por tudo e que aquela refeição matava um fome que estava em mim a cinco dias, desde o dia que almoçamos no restaurante da Br, depois de Goiânia. logo após o almoço, conversamos um pouco mais e contei tudo sobre a minha vida e meu maior sonho, ser cantor e que estava por lá pra trabalhar, ganhar um dinheiro e voltar pra estrada, rumo a São Paulo.
O Hélio nos deu um grande ajuda. Também nos fiou a alimentação quando conseguimos um serviço logo na semana seguinte. Na realidade daquele dia pra frente, não mais passei fome. Foram dias difíceis, mas que foram superados com muito trabalho e dedicação.
Uma semana depois, saímos da chácara onde o Hélio era caseiro e fomos pra a oficina do Zé Mano. Ele se compadeceu com a minha história e que me prometera me ajudar. Falou que em São Paulo tinha um irmão que tinha dado os primeiros incentivos ao grupo Pixote, e que ele também tinha os macetes de me guiar junto ao seu irmão, começando por Inhumas, seguindo pra Goiânia, na busca de encontrar parceiros que pudesse me dar uma oportunidade na música. O Zé Mano era maneiro, tinha as suas manias, mas era hospedeiro e muito trabalhado.
O amigo Willian logo desistiu de me acompanhar. Ele gostava como disse de sair e beber, e não era o que de fato queria.
Mas continuei a minha trajetória. Certo dia, numa quinta-feira, O Zé Mano encontrou uma pessoa que ele queria tanto encontrar. Era um senhor baixinho, por nome Dirso. O senhor Dirso tinha uns 55 anos e estava reabrindo um forró que a muitos anos comandou para um público da terceira idade, não só dessa faixa etária, as como um todo, onde todos os sábados ele fazia a festa no ambiente chamado “sambão”. Lá não tocava samba, mas tocava os estilos dançantes da música sertaneja. Nesse dia, o Zé Mano me garantiu que eu iria dar certo com ele e que ele ao se arrependeria por me dar uma oportunidade. E deu certo que no sábado ele iria retornar, na mesma rua, mas num ambiente novo. Já na estreia, eu poderia cantar com ele, logo após uma passada de som. Quando o Zé chegou foi muito contente me dando a notícia, e que na sexta-feira era pra me apresentar a ele em sua residência pra um ensaio.
No decorrer do ensaio o senhor Dirso me elogiou muito e disse que no sábado estaríamos juntos na estreia do forro. Sábado chegou e já estava nervoso. Nessa noite foi a primeira de muitas que passamos cantando para o seu público naquele local. Trabalhei com o Dirso no forró quatro finais de semana, após a estreia. Muitas pessoas perguntavam a ele de onde eu era e logo fui me entrosando e fazendo as minhas próprias amizades.
Entre uma conversa e outra, colocando nossos pontos de vistas sobre a minha realidade, foi quando ele me fez a seguinte proposta. – Corró, eu não tenho muita coisa. O que tenho pra te oferece é comida, um lugar pra descansar sua mente e corpo, em troca você me ajudar a comandar o forró. Não posso te pagar, mas você terá uma grande oportunidade de melhorar, se você quiser. Você me ajuda e eu te ajudo. Fiquei em êxtase quando ouvir. Não pensei duas vezes, logo fui buscar minhas coisas para parti quando o Zé chegou. Ficou contra a proposta do Dirso, mas nada ali me segurava. Agradeci por tudo e desejei muita luz, mas não podia mais perder oportunidade mais na minha vida. Agora era a hora disse. Assim fomos.
Na companhia do Dirso fiquei 1 ano e 8 meses. Nesses intervalos fazia as minhas investidas em outros projetos. No decorrer desse tempo, o Dirso foi meu grande professor onde pude aprender alguns segredos com ele sobre a música. Eu sei que falhei com ele quando, por um momento de fraqueza não queria mais ensaiar, cantava por cantar, e vejo hoje que poderia ter aproveitado muito aquele bom velho “ruivo”. Lembro do dia que íamos tocar, o salão estava lotado, já era hora de subir no palco. O nervoso estava a todo vapor em mim e vendo aquela situação em que passava pedi uma dose de bebida pesada. Logo ele me retrucou. Corró, você tem que encarar o público sem álcool na cabeça. A bebida é uma ilusão, te dá uma coragem mentirosa. Tome hoje, mas vamos aos poucos tirar essa mania. E foi assim por diante nossas cenas praticamente de pai e filho. Eu tinha o meu 24 anos nesse tempo, ele era um senhor com os seus 55 anos com muita experiência. Tinha conteúdo sobre a vida.
Nessa oportunidade ao logo desse tempo de parceria com o Dirso, também fiz muitas amizades no meio artístico da cidade, que fora muito importante pra minha carreira. Dentre tantas, eu destaco o Maestro Clausius Silva. Grande maestro e dono gravadora Sonata, empresa que tinha estabelecida pra apoiar a gravação de artista da cidade e região. Em outra oportunidade estarei relatando causos dos meus amigos que fiz naquela cidade no meu livro de memórias, que se Deus me permitir vou escrever. Posso falar deles de maneira detalhada. Os que eu relatei antes, do Amapá a Inhumas foram esses anjos que Deus colocou no meu caminho pra que pudesse me guiar. Mas quero relatar alguns que me fizeram ver as coisas diferentes do que estava em minha mente.
Pra me ganhar a confiança do Maestro Clausius não foi nada fácil. Ele é uma pessoa muito bem inserida no meio cultural e além de participar da vida política da cidade. Quando já estava na oficina, vi que estava difícil a minha situação financeira, mesmo tendo comida, mas queria algo melhor. Então certo descobrir que uma grande usina de álcool estava recrutando trabalhadores pra o corte de cana. Fiquei ansioso e logo me propus a ir até a empresa pra fazer a minha inscrição. No percurso da ida para a empresa, passei em frente um prédio que funcionava uma rádio comunitária, e que estava no ar poucos dias. Fiquei curioso e entrei no prédio pra tentar falar com alguém que pudesse me ajudar. Eu tinha uma fita com cinco músicas gravadas que tinha feita ainda no Amapá. Não era uma gravação pesada como dizemos, mas dava pra mostrar minha voz. Na entrada do estúdio encontrei o senhor Claudio que era o diretor executivo e programado. Apresentei-me e disse que queria mostrar material para que pudesse divulgar. Depois de uns 20 minutos de conversa ele me agendou em um programa da tarde, que o locutor iria fazer uma apresentação comigo e iria me dar uma força. Fiquei contente muito feliz, ao ponto de ir à empresa tão rápido que nem percebi o tempo chegar pra logo me apresentar no programa que entrava no ar a partir das 14 horas.
Falei com todos na casa que iria me apresentar na rádio e todos ficaram na expectativa na oficina. Chegando a tarde eu fui. Cheguei meia hora antes pra dar tempo de conhecer o apresentador.O apresentador quando chegou já sabia das minhas músicas e minha história, restando apenas nos conhecer melhor e fazer o trabalho. Mas, as músicas foram tocadas, o que fizemos foi apenas uma boa entrevista pra mostrar ao público do programa, “BOA TARDE SERTÃO” COM CANDINHO,a minha história. Durante a entrevista que, durou uns 45 minutos, na hora do intervalo, o Candinho me dava algumas informações preciosas. Me disse que na cidade tinha uma gravadora e que o dono da gravado era o então Maestro Clausius Silva que além de outras coisas, era o delegado da Ordem dos Músicos do Brasil, sucursal Inhumas e que ele poderia me ajudar, por ter contatos com alguns artistas e empresários do estado.
Dessa forma, eu fui buscar a amizade do maestro Clausius Silva. Com muita paciência, trabalhei pra conquistar sua confiança, que pouco a pouco estava tendo êxito. Lembro que todas as manhãs eu ia pra gravadora conversar um pouco com ele. Lá ele me mostrava os seus projetos que tinha em favor da classe dos músicos como delegado, mas também como companheiro, e tinha um grande sonho para os músicos, que na união, todos poderia se sair melhor do que estavam. Mas me confessava o Maestro que esse sonho já estava virando uma utopia, por que poucos levavam a profissão a sério e certamente não era fácil a concretização de algum comum, se a minoria, e da menor possível tinha interesse. E assim se deu a nossa grande amizade que começou bem simples e se tornou bastante alicerçada ao longo de 5 anos e meio.
O Maestro Clausius além de me dar muita força moral, passamos a ser do decorrer de um tempo parceiro. Eu sempre procurei estar do seu lado em todos os momentos. E quando passei a passei a conhecê-lo bastante, ao ponto de que no seu semblante, sabia se estava nervoso ou contente. E em 2004, fechamos um contrato. Logo no início do ano gravamos um disco titulado “amor por ela”, mas com várias regravações, essa produção foi assinada por Taciso Aquino. Fizemos uma estimativa de venda, sai pra rua vender porta em porta. Vendi nas feiras, nos bares e nos locais onde tinha circulação maior de pessoas. Infelizmente essa obra não aconteceu. Onde percebi que o artista sofre quando sai com o trabalho de baixo do braço pra convencer as pessoas que seu trabalho é bom. Mas tocou bastante nas estações de rádio da cidade, a qual sob a interferência do maestro, através de sua amizade os programadores tocavam. Foi muita alegria que durou pouco, logo a repercussão das tocadas parou.
Não desistíamos. Estava chegado o período eleitoral e então o maestro vendo meu potencial pra composição, me fez um convite pra compor a equipe que ria desenvolver o projeto de áudio das campanhas que a gravadora iria apoiar. Logo aceitei o convite, mas não tinha experiência na área política, com jingles e outros materiais que pra eles era comum elaborar nesse período. Mas ao decorrer da campanha as coisas estavam saindo bem, vendo a conquistar algumas com material que nós preparávamos. O ano 2004 marcou a minha trajetória musical diante desse cenário tão estimulante que é o período eleitoral, onde pude desenvolver meu potencial como cantor e compositor, me abrindo portas e reconhecimento.
Em parceria com o Maestro Clausius, fizemos outros projetos nos anos seguintes. Não quis mais projeto teste. Desse momento em diante, fui incluído no Programa Gente que Canta patrocinado pela prefeitura municipal, e com o apoio da gravadora do maestro. Nesse projeto, tive a oportunidade de lançar a música “sozinho estou, a referida música que tentei entregar pra mãe do cantor Leonardo. Sua produção fui muito elogiada por muitos críticos da região como a melhor música produzida do projeto.
Não quero me alongar mais do que devia em contar um pouco a minha história. Na realidade o que quero, é passar a minha mensagem com relação a minha busca pelo sucesso, que tanto almejava pra tirar minha família daquela situação que se encontrava no Amapá. Pra eles as coisas estavam bem e eu estava bem. Mas apesar de muitos projetos fazendo em parceira com o maestro Clausius, observei que não estava conseguindo furar o bloqueio do desconhecido. O tempo estava passando e muitas pessoas estavam atingindo o sucesso eu não. Foi aí que comecei a refletir da atual conjuntura que estava se desenhando pra os novos tempos. “Eu era mais um grão de areia”.
Falo isso porque já estava fora de casa a mais de 3 anos e 5 meses e muita coisa tinha feito, mas falta algo pra estourar. Questionava os novos comportamentos. No ano de 2005 em diante, o movimento universitário entrou em cena. Foi a alavancada de muitos artistas goianos, que marcou uma época, como a época dos sertanejos dos anos 80, que eu era admiradores. Eu era muito crítico a forma de cantar, o timbre de voz mal educada com o que me esperou e isso trazia uma angustia sem saber o que fazer. O maestro Clausius me orientava pra não desistir, mesmo que passassem bastante tempo, mas era pra me ter paciência que a minha vez iria chegar. Esse tempo só em Goiás foram 5 anos e 6 meses. Foi uma temporada onde a minha fé foi enfraquecendo ao poucos que decidi voltar pra casa. Achei que não valeria mais a pena buscar o sucesso com tanta garra, sabendo que o talento estava sendo substituído pelo poder econômico, e o modismo da atualizada. Não sei se fui radical demais em tomar essa decisão. Não sei se fiz a coisa certa. Mas o que eu fiz foi ter consciência que aquele ano em diante não era pra ficar sonhando acordado. Sonhado que minha música poderia acontecer e resolver meus problemas, sendo que o que eu tinha não dava pra desbancar o novo momento da música sertaneja que é o 10% de talento e 90% de investimento. Os amigos acreditaram no meu potencial, faziam de tudo pra que eu não desistisse, mas a realidade era outra, o comportamento mudou, e eu não tinha dinheiro pra investir pesado.
Em 2008, logo após do fim das eleições do referido ano, me despedir de todos e relatei que estava voltando pra minha terra. Os amigos diziam que em seis meses, tudo que eu tinha construído, caíra no esquecimento e que todos que torciam contra mim, iriam rir e se alegrar com minha volta, que para eles poderia ser o meu fracasso. Mas eu analisei por outro lado. Apesar de tudo, na falta do sucesso, busquei algo diferente em que muitas pessoas gostariam de buscar como relevância para suas vidas, ou pelo menos tentar uma vez na vida, mesmo não saído do jeito que foi projetada, ou sonhada. E na bagagem de volta para casa, trouxe uma vasta experiência e quem sabe poder colocar em prática no meu lugar. Mas o que ficou registrado em minha vida não foi o fato de estar no sucesso, mas sim, a partir daquele retorno, outra maneira de ver a vida, com trabalho e acima de tudo, realidade. O meu sonho continua, agora com pé no chão.
Estamos no ano de 20016, e já se passaram 8 anos do meu retorno. E esse ano, como disse anteriormente se completa 13 anos que estou na estrada. Mesmo que a minha rotina é outra, meu objetivo na música não chegou ao seu final, até porque, o que acho que fiz de errado, ainda em Goiás, foi não estar atento para a mudança. Meu estilo, tipo Zezé di Camargo, Leonardo, e outros estavam dando espaço pra os novatos que hoje são também experientes, como Victor e Leo, Jorge e Matheus e outros, Eduardo Costa, que porventura estão abrindo espaço para os da atualidade como Gustavo Lima e Cia da geração arrocha sertanejo. Mas o que tenho como grande lição de tudo isso é simplesmente isso; se não tivermos bons projetos e dinheiro, certamente trabalharemos muito e possivelmente não se chegue a grande exposição da mídia, que é a vontade de muitos e oportunidade de poucos.
Dessa forma meus caros, conto e canto a minha história, com alguns pontos de destaque nas minhas passagens nos lugares onde estive, pra mostrar que tentei muito fazer do meu sonho uma realidade, mas por condições adversas, voltei pra minha terra e fazer de um modo simples a boa música. Hoje tenho um bom equipamento que ando com meu pessoal promovendo eventos e vendendo, no possível, meus shows, enfrentando como sempre as dificuldades. Também estou ocupado com a família, trabalhando em nossos patrimônios, e seguindo o coração. Agora com pé no chão. O bom de tudo isso, são as melhores lembranças que passam na minha memória, recordando a loucura que fiz por UM SONHO. Fico grato a todos vocês por me compartilhar nas redes sociais, e que ao me curtir, visualizar ou me ouvir, estão me ajudando e me dando uma oportunidade quem sabe um dia a gente se encontrar e fazer uma grande festa, um grande show.
Essa é a minha história, que conto e canto pra vocês


Joarão Araújo

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