Parada 64

Marcos Dorneles

Já faz tempo que parti,
Do lugar onde cresci,
Que mora minha mãe querida,
Na Vera Cruz iniciei minha vida.

Espontaneamente começam a vir as rimas,
Sempre motivado por ele lá de cima,
Como é bom ter o poder das palavras,
Nasci em Gravataí, criado na rua Lavras,
Jogando bola no campo do Bagé,
Tem a Igreja do povo de fé,
Alguns deles já pensando alto,
Desde o tempo que nem tinha asfalto,
Andava de bike até ficar escuro,
Lutando capoeira, mortal em cima do muro,
Para chegar no campo pulava o valão,
Gurizada toda, de pé no chão,
Falam que eu era muito atentado,
Que a tendência era seguir o caminho errado,
Hã! Não foi assim que ocorreu,
Quem desejou meu mau, sua língua mordeu.

Porque já faz tempo que parti,
Do lugar onde cresci.
Que mora minha mãe querida,
Na Vera Cruz iniciei minha vida.

Continuando falando dessa gente,
Que quando chove, ainda tem medo da enchente.
A água vem, os bens estragam,
Enche a capela menino Jesus de Praga.
Mesmo mordidos, eles não desistem,
A esperança no rosto deles que não permite.
Meus pais, me mostraram o caminho,
Mas claro, as vezes se aprende sozinho.
Ganhava figurinhas, jogava bafo,
Subindo a 63 passava em frente ao Trafo.
Bar do Xirú, Sacolão, a Sede, o Cidão,
BigZú, Sadã, Badico Zé da Grama
Eram os lugares mais frequentados da semana.
Mas vi cada coisa que nem acredito,
Que se não tivesse vivido achava que era mito,
Aconteceu na vila.
Como buscar quatro refri 600, com uma nota de um pila.

Pois já faz tempo que parti,
Do lugar onde cresci.
Que mora minha mãe querida,
Na Vera Cruz iniciei minha vida.

Agora vejo coisas que pouco entendo,
Matava as aulas pra jogar um Super Nintendo.
Era muito diferente da antiga,
Tempo que havia bem menos briga,
Quando fazia arte com os amigos,
Eu te digo, apanhava, e já tava de castigo.
Também gostava, achava muito legal,
A gurizada toda andando de perna- de-pau.
Jogando taco, piazada reunida,
Tacada forte, era bolinha perdida.
Jogava bolita, tazo, tinha pião,
Já atirava no ar e pegava na mão.
Até agora, adoro olhar o Chaves,
Até altas horas, no Mário para passar as fases.
Esfolava o joelho com carrinho de lomba,
A cachorrada correndo fugindo das bombas.

E já faz tempo que parti,
Do lugar onde cresci.
Que mora minha mãe querida,
Na Vera Cruz iniciei minha vida.

Se algum se identificar,
Fico feliz pois a minha infância pude retratar.
Chegando agora sem fazer murmurinho,
Sou Paulo Marcos, sou eu mesmo, o Marquinho!
Verso Inverso vem do nada,
Fazendo som na cidade das paradas.

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